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Amazônia
MEIO AMBIENTE

Simpósio de Química discute saberes tradicionais e possibilidades para a indústria

15º Simpósio Brasileiro de Educação Química (Simpec) começou ontem e segue até esta terça-feira 07/08/2017 às 21:13 - Atualizado em 07/08/2017 às 21:16
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Presidente da Associação Brasileira de Química (ABQ), Robério Oliveira, destacou potencial da química em aulas de escolas amazônicas (Foto: Aguilar Abecassis)
Silane Souza Manaus (AM)

Os saberes tradicionais, aqueles passados de pais para filhos, podem ser usados para transmitir o conhecimento químico aos alunos, especialmente do interior do Amazonas, e fazer com que eles desenvolvam novos produtos e novas linhas de pesquisa que agridam menos o meio ambiente proporcionando assim melhor qualidade de vida para as pessoas. É o que defende o presidente da Associação Brasileira de Química (ABQ), Robério Oliveira.

Ele destaca que muitas vezes a Química é vista como sendo algo ruim, mas esse é um conceito errado e negativo, tendo em vista que ela está por toda a parte e assim como as outras ciências tem um papel fundamental na busca de soluções para os problemas criados pelas atividades humanas e também na questão do desenvolvimento sustentável. Ele cita como exemplo a evolução da chamada “Química Verde” que busca meios de alcançar o desenvolvimento sem agredir o meio ambiente.

É graças a esse conceito, por exemplo, que hoje existe o plástico verde, produzido a partir da cana-de-açúcar, a geração de energia por meio  da biomassa (matéria orgânica de origem vegetal) em substituição ao petróleo, os fármacos mais específicos e de melhor formulação, permitindo que as pessoas possam aproveitar mais a vida, e uma série de outros produtos biodegradáveis, que tem decomposição mais rápida na natureza e são de uso mais seguro e não traz risco a quem os manuseia.

E são inúmeras as transformações químicas aproveitáveis para o desenvolvimento sustentável e os conhecimentos tradicionais podem ser aliados nessa questão. “O desafio é conhecer, entender, estudar e transmitir esse conhecimento de uma maneira científica, ou seja, pegar esse saber tradicional e traduzí-lo para uma química mais moderna, mais prática”, disse o presidente da Associação Brasileira de Química/Regional Amazônia Ocidental (ABQ/AO), Sergio Bringel.

Encontro

Esse é um dos objetivos do 15º Simpósio Brasileiro de Educação Química (Simpec), que começou ontem e segue até amanhã no Centro de Eventos do Da Vinci Hotel & Conventions, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul. Com o tema “Saberes tradicionais e científicos: diálogos na Educação Química”, o evento reúne pesquisadores, professores, estudantes e demais profissionais da Química de várias partes do Brasil na discussão do assunto.

Ensino é desafio

O 15º Simpec conta com oficinas, palestras, cursos, mesas-redondas, apresentação de trabalhos em pôsteres e comunicação oral. O evento é realizado pelo segundo ano consecutivo em Manaus. Em 2018, ele será realizado no Rio de Janeiro, com o tema “A Educação Química no Século XXI: Com as mudanças, o que e como ensinar”.  Sergio Bringel, que é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, disse que o Amazonas tem um enorme potencial para o desenvolvimento da “Química Verde” e Indústrias de cosmético, de alimentos e concentrados adotaram esse conceito. Mas ainda é preciso de mais estudos e conhecimentos.

Estudos e inovações

O professor e pesquisador do Instituto Federal de Paraíba (IFPB) Edvaldo Amaro veio apresentar um projeto da estudante Jéssica Aguiar, que não pode vir ao evento. “Ela adaptou o Diagrama de Ishikawa numa ferramenta de gestão de qualidade voltada à formação docente. É um trabalho inédito que identifica prováveis dificuldades num processo e as possibilidades de resoluções”.

Os estudantes Heiner Machado, 18, Kelliane Fernandes, 22, e Adriane Lima, 23, do curso de Licenciatura em Química da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Parintins, também vão defender projetos no 15º Simpec. Heiner vai apresentar um estudo sobre o uso do catauari na cultura tradicional. Ele adiantou que o fruto é utilizado pelos ribeirinhos e povos tradicionais, entre outras coisas, como antisséptico, contra veneno de cobra e reumatismos.

Kelliane, por sua vez, defenderá o jogo “caça molécula”, desenvolvido para ensinar os alunos do ensino médio sobre os principais gases liberados na lixeira do município.

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