Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Amazônia

Sistema irá gerar informações de previsão climática sazonal para a Amazônia

A pesquisa está em andamento e deve gerar informações sobre a previsão climática para toda a Amazônia e região metropolitana de Manaus



1.jpg O sistema consiste em uma célula de previsão operacional de modelagem numérica, em escala sazonal e diária, capaz de gerar informações sobre o clima e o tempo na região
03/03/2016 às 10:42

 Já imaginou um sistema capaz de garantir a previsão climática diária e sazonal para toda a Amazônia e região metropolitana de Manaus? Isto será possível a partir de 2017, segundo a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Jeanne Sousa.

 Ela está desenvolvendo um projeto de pesquisa com apoio do governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) que tem como objetivo operacionalizar um sistema de previsão climática sazonal para a Amazônia e região metropolitana de Manaus.

 Segundo ela, o sistema consiste em uma célula de previsão operacional de modelagem numérica, em escala sazonal e diária, capaz de gerar informações sobre o clima e o tempo na região.

Para ela, o monitoramento em tempo real e a previsão climática sazonal da Amazônia irão auxiliar na gestão dos recursos hídricos, setor de produção de energia, além de servirem como ferramentas adicionais para o manejo integrado dos ecossistemas, sistemas de transporte fluvial e produção agrícola.

“É a compreensão mais detalhada, em várias escalas, da interação física de um maior número de eventos meteorológicos, os quais intensificam e modificam, comprovadamente, índices pluviométricos sobre a região. O aumento dessa habilidade de previsão climática é tanto “melhor” quanto “maior” a quantidade de estudos empreendidos para discernir os vários processos físicos atuantes e suas dinâmicas de geração e manutenção desses índices”, disse a pesquisadora.

O estudo conta com o aporte financeiro do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam) da Fapeam e é desenvolvido no Núcleo de Modelagem Climática e Ambiental (NMCA) do Inpa, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), com a infraestrutura de dados que apoia a estratégia de modelagem proveniente do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Como o sistema funciona?

Segundo Jeanne Sousa, o estudo é voltado para as previsões sazonais, ou seja, os eventos meteorológicos que ocorrem em determinadas épocas do ano, mas que influenciam diretamente para prognósticos sobre a previsão do tempo. Com a previsão, de acordo com a pesquisadora, será possível obter um ganho na resolução das demandas decorrentes das alterações no tempo e no clima.

Ela explicou que na Amazônia o regime de precipitação (chuvas) é modulado tanto por variações que ocorrem diretamente na atmosfera, quanto por variações na temperatura da superfície do mar (TSM) dos oceanos Pacífico e Atlântico, que influenciam na alteração dos padrões de circulação zonal e meridional da atmosfera, desencadeando diversos sistemas meteorológicos que vão desde escalas sinóticas até a microescala, em diferentes escalas temporais. 

Doutora em Clima e Ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Sousa, explica que o sistema irá funcionar utilizando-se da técnica de downscaling (redução de escalas), que consiste na regionalização dos produtos de modelos climáticos globais fornecendo condições iniciais e de contorno (CI e CC) para modelos regionais, como o modelo meteorológico WRF (Weather Research and Forecasting), que atualmente é o Estado da Arte na previsão numérica de fenômenos meteorológicos em várias escalas.

 “As integrações do modelo serão feitas considerando as previsões operacionais do modelo global MCGA do CPTEC/INPE, na escala sazonal para toda a América do Sul, numa escala de 81x81 km, com estudos setoriais para diversas regiões, com foco na Amazônia e região metropolitana de Manaus. As simulações de clima serão conduzidas através de integrações de períodos de sete meses, considerando sempre o descarte do primeiro mês (spin up do modelo), onde as análises das saídas serão feitas em trimestres e, diariamente, em integrações de 72 horas, para a previsão de tempo”, disse a pesquisadora. 

*Com informações da assessoria de comunicação.

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