Desmatamento

Sob o governo Bolsonaro, floresta amazônica perdeu área corresponde a três Manaus

No período de 2019 a 2021, o desmatamento na Amazônia Legal alcançou uma área de 34,2 mil km²

Waldick Júnior
01/01/2022 às 11:35.
Atualizado em 08/03/2022 às 18:18

(Foto: Arquivo/AC)

Nos três anos do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), o desmatamento na Amazônia Legal alcançou uma área de 34,2 mil km², o equivalente a três vezes o território de Manaus, 11,4 mil km². Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do próprio governo federal.

Na série histórica, os dados mostram que o desflorestamento nesse período cresceu sem recuos em 2019 (10,1 mil km²), 2020 (10,9 mil km²) e 2021 (13,2 mil km²). Os números se referem a toda a Amazônia Legal, formada pelos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. 

“Vemos um aumento grande no desmatamento porque existe um incentivo por parte do governo federal a essa prática. Quando diminui a fiscalização, o orçamento do Meio Ambiente e do Ibama, quando incentiva a apropriação de terras, nega as mudanças climáticas e quando incentiva o garimpo, tudo isso provoca mais desmatamento”, comenta Muriel Saragoussi, doutora em Fisiologia Vegetal e ex-secretária nacional de Coordenação de Políticas Públicas para a Amazônia do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo os dados do Inpe, de 1988 a 2004, o Brasil contava com uma média de 18,44 mil km² de áreas desmatadas anualmente, valor considerado muito alto. A partir de 2005, durante o governo Lula, esses números passaram a cair bruscamente até atingir o mínimo de 4,6 mil km² em 2012, já no governo Dilma. Então, a partir de 2015, no segundo ano de governo da presidente petista, voltou a subir (6,2 mil km²), passando pelo presidente Michel Temer até alcançar altas consecutivas na atual gestão federal (13,2 mil km²).

“Os números são os piores dos últimos 15 anos. Durante o governo Bolsonaro, o aumento do desmatamento na Amazônia é de 76% em relação ao ano antes de ele tomar a presidência. Não existe nada que justifique um aumento tão expressivo a não ser as medidas do próprio governo”, diz Marcio Astini, Coordenador de Políticas Públicas do Green Peace. 

Amazonas no topo

De acordo com o Inpe, o Amazonas ficou em primeiro lugar no número de desmatamento proporcional, com alta de 55,22%. Só entre agosto de 2020 e julho de 2021, foram 2,3 mil km², área maior que bairros manauaras como Adrianópolis (2,4 mil km²) e Nossa Senhora das Graças (2,1 mil km²).

Aliás, é Lábrea, um município amazonense que está no topo de focos de calor (possíveis queimadas) até 31 de agosto deste ano, com 3.535 registros. Ele está localizado no Sul do Estado, região com forte presença pecuária e onde se concentra a maior parte do desmatamento no Amazonas.

“O aumento do desmatamento no Estado também está relacionado à expectativa de asfaltamento da BR-319, porque valoriza as terras em volta e o governo dá garantia de impunidade aos desmatadores”, afirma a ambientalista.

Militares na floresta

Para tentar minimizar o desmatamento, a principal ação do governo federal foi colocar militares para cumprir o papel que, historicamente, cabe aos órgãos ambientais como Ibama e ICMBio.

Através das Operações Verde Brasil 1 e 2 e Samaúma, foram gastos R$ 550 milhões para bancar atuação direta contra o desmatamento.

O período dessas ações foi de agosto a outubro de 2019; maio de 2020 a abril de 2021; e junho a agosto deste ano.

Em fevereiro deste ano o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu as operações comandadas por ele. Disse que de junho de 2020 a janeiro de 2021 houve uma redução de 19% no desmatamento, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados do Inpe são do sistema Prodes, que avalia o corte raso na Amazônia através de satélites direcionados para a região. O projeto está em execução desde 1988 e serve como um norte para a aplicação de políticas públicas.

Desmonte

Uma das principais críticas de ambientalistas ao governo federal é a perda de orçamento nos órgãos ambientais.

No Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o setor de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais nas Áreas Federais Prioritárias teve R$ 39 milhões em 2019, mas foram gastos somente R$ 33 milhões.

Já em 2020, o valor empenhado caiu para R$ 31 milhões, mas foram gastos apenas R$ 21 milhões. Neste ano, o setor tinha disponível R$ 41 milhões, valor maior que nos anos anteriores, porém gastou apenas R$ 29 milhões. Já o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) teve um orçamento de R$ 606 milhões em 2021, mas executou apenas R$ 556 milhões.   

 “Bolsonaro desfere ataques a repartições públicas e a servidores. Ataca o Ibama e o ICMBio. Mas isso não é só na área ambiental e sim em todo o serviço público”, afirma Walter Matos, secretário-geral do Sindicato dos Servidores Federais do Amazonas (Sindsep-AM), entidade com associados dos quadros do Ibama e do ICMBio.

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