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Amazônia
começa a estiagem

Dimensão do início da seca nos rios do Amazonas é revelada em relatório

Documento será apresentado na próxima sexta-feira (29) pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e defesas civis com dados sobre a situação atual de rios amazonenses em estado de atenção 25/07/2016 às 20:54 - Atualizado em 26/07/2016 às 01:32
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Pelo menos três rios estão com menos de um metro para atingir os níveis históricos de estiagem: Purus, Juruá e Madeira (Divulgação)
Silane Souza Manaus (AM)

Um relatório sobre a atual situação das calhas dos rios amazonenses que estão em situação de atenção por causa do baixo nível das águas deverá ser divulgado na próxima sexta-feira (29), em Manaus. O documento vai ser apresentado durante reunião entre representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Defesa Civil do Estado e Defesa Civil dos municípios atingidos pela estiagem.

Até o momento, pelo menos três rios estão com menos de um metro para atingir os níveis históricos de estiagem. No Purus e Juruá, 13 municípios encontram-se em estado de atenção – primeiro estágio para se preparar para  um desastre –, enquanto no Madeira, a navegação está comprometida entre Humaitá e Porto Velho (RO). A previsão é que este rio, em breve, também entre em estado de atenção.

A situação ainda não deixou estas regiões isoladas ou desabastecida, mas preocupa a Defesa Civil do Amazonas, tendo em vista que o Estado passa por uma transição climatológica: está saindo do inverno para o verão. “Por enquanto, a vazante está dentro da normalidade. Mas a nossa preocupação é como estas calhas vão se comportar durante o ápice do verão amazônico que se dar entre os meses de agosto e setembro”, disse o secretário executivo do órgão, Fernando Pires Júnior.

Por conta deste cenário, a Defesa Civil Estadual juntamente com as Defesas Civis dos municípios anteciparam o levantamento das comunidades que poderão ser afetadas pelo desastre. Pires destacou que, neste momento, a responsabilidade ainda é das prefeituras municipais que são orientadas a montar o plano de contingência para, caso a estiagem avance, possam atender as famílias. “Se houver evolução do cenário de desastre é que o Estado entra efetivamente com ações”.

Isso só deve acontecer quando a população for atingida e as prefeituras confirmarem por meio de levantamentos. “Diferente da enchente, na estiagem, o afetamento se dá quando a população começa a ficar desabastecida de alimentos e água e também quando há impacto na produção rural”. O secretário executivo ressaltou que o acompanhamento hidrológico é feito diariamente por meio do Centro de Monitoramento e Alerta do órgão.

De acordo com dados do boletim de monitoramento hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado na última sexta-feira, na bacia do Purus, o nível atual do rio Acre em Rio Branco (AC) de 1,60 metros em 22 de julho de 2016, encontra-se a apenas 0,10 metros de atingir o mínimo histórico registrado em setembro de 2011, de 1,50 metros. Na estação de Boca do Acre, no rio Purus, o nível voltou a descer e encontra-se apenas 0,55 metros acima do nível observado no mesmo período em 1998, quando ocorreu a mínima histórica.

Na bacia do Madeira, em Humaitá, o rio segue em processo de vazante com níveis abaixo da média para época. A cota atual, de 12,10 metros, encontra-se 0,61 metros abaixo do valor observado no mesmo período em 1969 quando ocorreu a mínima histórica.

Monitoramento

Os municípios das calhas do Juruá e Purus, os coordenadores da Defesa Civil estão fazendo leitura hidrológica do rio e trabalhando com os municípios o plano de contingência para execução em caso de anormalidade social das comunidades. A primeira resposta é dos municípios, a segunda do Estado e a última do Governo Federal.

Enchente

Na bacia do Negro, em São Gabriel da Cachoeira, o nível do rio apresentou uma leve queda durante a semana, mas voltou a subir. No último dia 14 havia atingido a cota de emergência e atualmente está a 0,74 metros de atingir a máxima histórica ocorrida em 2002 (de 12,17 m). Em Tapuruquara (Santa Isabel do Rio Negro), o nível do rio superou a cota de inundação (8,28 m) no último dia 21. No Porto de Manaus, o rio Negro se encontra em princípio de processo de vazante.

Vazante

Na bacia do Solimões, as estações monitoradas indicam início de processo de vazante, com níveis abaixo da média para o período e na bacia do Amazonas, as estações monitoradas na calha principal do rio iniciam processo de vazante, com níveis abaixo da média para época.

Navegação

No último dia 13, a Delegacia Fluvial de Porto Velho (DelPVelho) emitiu um ofício às empresas de navegação, com base nas Normas e Procedimentos da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (NPCF/CFAOC), suspendendo a navegação noturna de comboios no trecho compreendido entre os municípios de Porto Velho e Calama, no Estado de Rondônia.

O referido documento apresenta, também, os seguintes pontos críticos do rio Madeira, entre os municípios de Porto Velho e Humaitá, no Amazonas: Travessia do Tamanduá, Travessia dos Papagaios, e Travessia de Curicacas; que foram observados pela equipe de Inspetores Navais da DelPVelho, no período de 8 a 12 deste mês. Nesses trechos, foram encontrados bancos de areia, que podem ocasionar acidentes da navegação, como o encalhe de embarcações.

O documento recomenda, ainda, a atenção redobrada pelos navegantes, inclusive, no período diurno, em face da existência de alguns trechos com profundidade inferior ao medido pela régua de Porto Velho. Ressalta também que a medida visa garantir a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e a prevenção da poluição hídrica no Rio Madeira, durante o período de vazante do rio.

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