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Amazônia
risco de isolamento

Seca no Amazonas começa a preocupar órgãos de monitoramento

Uma das principais preocupações é com a trafegabilidade das embarcações nas calhas do Purus e Juruá 11/07/2016 às 21:46 - Atualizado em 11/07/2016 às 21:50
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Agente da Defesa Civil aponta a situação do rio Jurua, em Guajará (Divulgação Defesa Civil do AM)
Silane Souza Manaus (AM)

O regime de chuvas no Amazonas está normal, mas o nível dos rios não se apresenta na sua normalidade, o que preocupa os órgãos de monitoramento, visto que quase todo transporte da região é feito via fluvial. “A nossa preocupação é com a trafegabilidade, o abastecimento e o bem estar social das comunidades que vivem a beira desses rios, onde a estiagem foi antecipada”, disse o secretário executivo da Defesa Civil do Estado, Fernando Pires Júnior.

Pelo menos oito municípios das calhas do Juruá e Purus seguem em estado de atenção por conta dos níveis baixos dos rios nessas regiões. As cidades estão em processo natural de vazante, mas se aproximam dos níveis históricos de estiagem, de acordo com dados da Defesa Civil do Amazonas. Mas ainda não há isolamento de comunidades, desabastecimento de alimentos, danos humanos, materiais e econômicos que possam levar a situação de emergência. 

Em Guajará, cidade referência para os demais municípios da calha do Juruá, o nível do rio é de 3,18 metros, faltando apenas 98 centímetros para atingir a cota da maior estiagem registrada, que foi em 1995 quando chegou a 2,20 metros. Em Boca do Acre, referência do Purus, a marca histórica da vazante foi em 1998, quando o nível do rio chegou a 3,49 metros. Para alcançar o mesmo registro de 18 anos atrás, faltam 1,45 metros, isso porque o rio está medindo 4,94 metros.

Fernando Pires destacou que técnicos da Defesa Civil do Estado estão nos dois municípios monitorando diariamente os níveis do Juruá e Purus para, em caso de vazante maior que as históricas, decretarem situação de emergência na calha desses rios. “As prefeituras estão fazendo levantamento de pessoas que podem ser afetadas e qualquer situação anormal em relação às comunidades que vivem as margens dessas calhas vamos tomar providências. Mas a primeira resposta é do município”, salientou. 

De acordo com o Centro de Monitoramento e Alerta (CEMOA), da Defesa Civil do Estado, a descida dos rios nessas regiões, que estava prevista para agosto, se antecipou para os meses de junho e julho. “É uma situação preocupante, reflexo das mudanças climáticas que tivemos no ano passado e início desse ano por conta do El Niño. Pelo cenário se vislumbra um pior desastre, mas ainda não podemos falar de estiagem grave porque não sabemos como vai se comportar o clima e hidrologia”, destacou Fernando Pires.

Estado de Atenção

O estado de atenção é o primeiro estágio de um desastre, que pode evoluir para um alerta e posteriormente para uma situação de emergência, e foi emitido pela Defesa Civil do Estado para os municípios que compreendem as calhas do Purus (Boca do Acre, Canutama, Lábrea, Tapauá, Pauiní e Berurí) e do Juruá (Guajará, Juruá, Eirunepé, Itamarati, Ipixuna, Envira, Cararuari).

Estado de Emergência

O nível do rio Acre em Rio Branco (AC) está 1,65 metros abaixo da cota média do mês de julho e a apenas 0,36 metros de atingir o mínimo histórico registrado em abril de 2011. No último dia 7, o Governo do Estado do Acre decretou estado de emergência nos municípios de Rio Branco, Xapuri, Epitaciolândia, Brasileia, Assis Brasil, Porto Acre, Bujari, Plácido de Castro (Vila Campinas) e Acrelândia em decorrência da estiagem.

Na estação de Boca do Acre, no rio Purus, a cota atual encontra-se apenas 0,19 metros acima da cota observada no mesmo período no ano de 1998, quando ocorreu a vazante histórica. Na bacia do Negro – em São Gabriel da Cachoeira – o nível do rio Negro está a 0,45 metros de atingir a cota de emergência (11,48 metros). No Porto de Manaus, o rio Negro passa por período de estabilidade, baixando apenas 0,07 metros na última semana.

A bacia do Solimões, os níveis nas principais estações do rio indicam o fim do período de cheia. Nas estações de Itapeuá e Manacapuru, os níveis baixaram respectivamente 0,15 e 0,10 metros na última semana. Já na bacia do Amazonas, as estações monitoradas estão finalizando período de cheia com níveis abaixo da média para época.  A bacia do Madeira – Em Humaitá – o rio segue monitorado e em processo de vazante com níveis abaixo da média para época.

Alerta

A Defesa Civil do Amazonas também volta às atenções para o Acre pelos os níveis baixos do rio Acre, que levou o Estado do Acre, a decretar situação de emergência por conta da estiagem. O desastre no Estado vizinho poderá afetar municípios do Amazonas, como Boca do Acre que é banhado tanto pelo rio Purus como pelo rio Acre.

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