Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Amazônia

Ufam qualifica professores indígenas

Projeto da Ufam capacita representantes de etnias a fim de garantir ensino e manutenção da cultura e língua locais



1.jpg Apresentação de teatro marcou o encerramento da última etapa do curso, realizado no Centro de Formação de Professores Indígenas
01/05/2013 às 11:53

Aproximadamente 1,4 mil alunos da etnia Mura que frequentam dez escolas das maiores aldeias de Autazes (a 113 quilômetros de Manaus), a partir desta quarta-feira (1), serão ensinados por 52 professores indígenas formados em nível superior com habilitação em Letras e Artes, Ciências Humanas e Sociais, Ciências Exatas e Biológicas, do ensino Fundamental e Médio.

Depois de cinco anos, com aulas durante três meses por ano, uma peça teatral marcou o encerramento da última etapa do curso, no Centro de Formação de Professores Indígenas, na Fazenda Universitária da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no km 39 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). O curso, direcionado mais para a pesquisa, foi composto pelas etapas de formação geral, específica e de integração das áreas. Somente a última etapa foi ministrada em Manaus.

Hoje, estão chegando os alunos da etnia Sateré-Mawé, que iniciaram o curso em 2011 na área indígena do Andirá-Marau, município de Maués (a 276 km de Manaus). Em agosto será a vez dos Mundurukus, que serão representados por indígenas do Amazonas e do Pará. O curso está sendo ministrado no Município de Borba (a 150 quilômetros da capital).

Um dos concludentes é o professor Alcilei Vale, 42, coordenador da Organização dos Professores Indígenas Mura. Segundo ele, os muras representam 30% de toda a população de Autazes, algo em torno de 9 mil índios distribuídos nas áreas rural e urbana.

Professora da aldeia Murutinga, a índia Matília Nascimento Varejeira, 34, não conseguia esconder a felicidade pela qualificação. “Sou professora há 15 anos e desde 1997 estou no movimento que lutava por esse curso. É uma conquista muito grande, até porque Autazes é uma cidade muito preconceituosa com as causas indígenas. De tão perseguidos, os índios se escondiam e negavam sua identidade para não serem mortos”, confessa Matília. Ela revela que só veio a saber que era índia mura quando tinha 18 anos. Seus pais tentavam evitar que ela viesse a passar por constrangimentos.

“Era uma dívida histórica da Ufam com os povos indígenas. Esse curso foi pensado e projetado em parceria com os muras. Eles estão voltando para suas aldeias totalmente qualificados inclusive em condições de resgatar a cultura e as tradições do povo mura”, declarou a coordenadora geral do curso de Licenciatura da Ufam, Rosa Helena Dias da Silva.

“É mais um compromisso social da Universidade que a gente consegue cumprir”, completa Francisco Adilson Hara, pro-reitor adjunto de Ensino de Graduação da Ufam.

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