Domingo, 12 de Julho de 2020
Amazônia

Vazante lenta poderá influir na próxima cheia do Rio Negro

Nível do rio ontem, em Manaus, estava quase um metro acima da marca registrada no ano passado



1.jpg Vazante segue ritmo mais lento que nos últimos anos, mas o pico da queda do nível ainda será alcançado neste mês
17/09/2014 às 21:49

A vazante do rio Negro continua “lenta” este ano, quando comparada com a de 2013, nos meses de agosto e setembro.  Apesar disso, pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), em Manaus, acreditam que a vazante de 2014 fique dentro da normalidade. Pelos dados atuais, também não é possível afirmar que a enchente do ano que vem fique acima do esperado. O pesquisador da Gerência de Hidrologia e Gestão Territorial do CPRM, André Martinelli dos Santos, explicou que, neste ano, ocorreram dois fenômenos hidrológicos críticos que podem ter influenciado o retardo na descida das águas do rio Negro.

 O primeiro é que, no ano passado, o rio não vazou tanto quanto o registrado em 2012, e, portanto, a cheia deste ano  começou com uma cota de água elevada. “O nível da vazante do rio não atingiu valores de acordo com as médias da série histórica, ocasionando um início de cheia com cota  elevada em 2014”, explicou.



O segundo fenômeno foi a cheia histórica do rio Madeira, que atingiu os Estados de Rondônia, Acre e Amazonas, desabrigando milhares de famílias. Essa enchente, na visão do pesquisador, pode ter dificultado o escoamento normal das águas do Amazonas. Embora, os pesquisadores ainda estejam avaliando se esta possibilidade é verdadeira para justificar o quadro atual da vazante. “Apesar disso, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) aponta para uma tendência de normalização dos dados para a vazante atual", afirmou.

Rio Negro

Em julho deste ano, a cota do rio Negro ficou na casa dos 29 metros durante todo o mês, conforme dados estatísticos do Porto de Manaus. Somente em agosto, a vazante foi mais intensa. Ontem, o nível do rio Negro estava em 25,43m; no dia 17 de setembro do ano passado, a cota registrada foi de 24,60m; em 2012, na mesma data, o nível estava em 21,68m; e no ano de 2011, foi de 20,41m. De acordo com o chefe do setor de Hidrologia do Porto de Manaus, Valderino Pereira, há mais de 20 anos realizando as medições do rio Negro, tradicionalmente setembro é o período em que são registradas as baixas mais significativas. “Temos ainda mais de um mês para que ocorra a máxima de vazante”, estimou Valderino.

Números

O Relatório da Vazante 2012 - Manaus, elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), mostrou que, no período de 1902 a 2012, a menor cota do rio, registrada na estação Porto de Manaus  foi observada em outubro de 2010 - 13,63m, superando a marca registrada no ano de 1963, que havia atingido 13,64m no dia 30/10/1963. A terceira maior vazante ocorreu em 1906, com 14,20m. 

 Represamento

As vazantes e cheias que ocorrem na orla de Manaus e seu entorno, ainda conforme o relatório, são regidas, em sua maior parte, pelo volume d’água do rio Solimões, que provoca o represamento das águas do rio Negro, na região do Encontro das Águas. O tempo médio de descida das águas no período de vazante em Manaus é de aproximadamente quatro a cinco meses.



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