Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Amazônia

Vendedores ambulantes e camelôs causam danos a árvores do centro de Manaus

Ao fincar pregos e abrir vãos nas cascas população causa inúmeros prejuízos às árvores



1.jpg Mangueiras são usadas para dar suporte a produtos vendidos no Centro
27/08/2013 às 09:33

A atitude de fincar pregos, colocar placas e faixas, além de ferir árvores com outros objetos é a porta de entrada para doenças que levam as espécies a morte ou causam danos irreversíveis. Seja na área central, ou periférica é comum ver pregos em árvores usados para pendurar lixo e cartazes. Porém, a abertura, feita por parte da população, causa inúmeros prejuízos às árvores. Esse procediemnto é, conforme a legislação ambiental, proibido e passível até de multa.

Na última semana, por exemplo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e sustentabilidade (Semmas), retirou mais de 30 pregos de 24 oitizeiros dos 110 existentes na avenida Getúlio Vargas, no Centro. Eles têm mais de 70 anos. No Centro, ou em outros cruzamentos da cidade, ambulantes fixam os pregos para pendurar mercadorias. Quando o semáforo fecha para a passagem de veículos, eles recolhem as mercadorias que são oferecidas aos condutores.

Segundo o diretor de arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Heitor Liberato, algumas pessoas “pecam” por falta de conhecimento ou esquecem que as árvores são organismos vivos. Ele explica que da mesma forma que o ser humano sofre danos ao ser ferido, as árvores também são prejudicadas. Um simples furo na árvore abre espaço para o surgimento de fungos, principais inimigos das árvores, quando se trata de doença, defende Liberato.

Ele ressalta que é comum ver uma árvore morrendo e as pessoas não sabem que a causa pode ter sido uma pequena abertura causada por elas mesmo. As agressões ainda podem levar a perda de folhas e a até da copa total da espécie que, em alguns casos, precisa ser sacrificada. Além dos danos aparentes, uma perfuração no tronco da árvore causa interferência no fluxo de seiva agravando o dano as espécies. “É um procedimento grave que acarreta em vários prejuízos para as árvores. Um furo abre portas para entrada pragas e doenças, principalmente, no nosso clima propício para o surgimento de fungos que danificam a saúde da árvore”, disse.

Para a estudante Josiane Oliveira, 18, as ações de retirada de pregos das árvores deveriam ser frequentes. “Estudo no Colégio Dom Pedro II e todo o dia vejo ambulantes pendurando produtos em pregos nas árvores. Não precisa ser gênio para saber que a árvore é um ser vivo, mas a prefeitura deveria fiscalizar mais vezes e punir com rigidez essas pessoas porque só quando a pessoa é punida de verdade que aprende e parar de fazer coisa errada”, disse.

Boa intenção também faz mal

O município tem tentado reduzir às agressões as árvores da capital com educação ambiental e esclarecimentos a população. No entanto, os resultados ainda são tímidos, uma vez que os registros de danos as árvores são constantes. Para o responsável pelo trabalho, Heitor Liberato, além das agressões intencionais, procedimentos feitos “até com boa intenção”, como a poda, podem prejudicar ao invés de ajudar ar árvores.

Outro inimigo das árvores é o estrangulamento feito por pneus, fios elétricos e até camburões. Eles são colocados para “proteger” a árvores quando ele está pequena, mas a medidas que cresce tem o tronco estrangulado pelo material. Outro tipo de estrangulamento ocorre em calçadas. Segundo Liberato, as pessoas plantam árvores muito próximas a calçadas, sendo que ela precisa de “área permeável”, espaço para que a raiz possa crescer sem barreiras.

“Quando plantam uma árvore muito próxima da calçada, a água não tem como descer e faz com que a raiz ao invés de ir para baixo suba e quebre a calçada. Tem que colocar a árvore no lugar certo”, orientou.

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