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Vídeo de câmera do Ephygênio Salles mostra caminhão atingindo árvore cheia de periquitos

As imagens, captadas a partir de uma câmera posicionada na parte posterior do muro da lateral direita do condomínio, registraram a colisão 04/12/2014 às 18:37
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Cerca de 200 periquitos morreram de uma vez só
Lucas Jardim Manaus (AM)

Imagens de câmeras de segurança do condomínio Ephygênio Salles mostrando um caminhão se chocando contra uma revoada de periquitos enquanto trafegava na avenida de mesmo nome foram divulgadas nesta quinta-feira (4). Assista o vídeo aqui.

As imagens, captadas a partir de uma câmera posicionada na parte posterior do muro da lateral direita do condomínio, registram o momento em que um caminhão avança pela via à revelia dos pássaros que voam em bando no sentido contrário. O próprio registro do aparelho aponta que o fato ocorreu entre por volta das 21h do último dia 26 de novembro.


Segundo a auxiliar administrativa Regina Almeida, que trabalha na administração do condomínio há mais de 10 anos, o registro foi uma questão de sorte. “As câmeras são programadas para fazer varreduras e calhou de, naquele momento, elas estarem focadas na rua, mas uma vez que as imagens foram gravadas, é importante que a população veja e se esclareça sobre a situação”, contou ela.

Tensão

Regina disse do clima tenso que acometeu os condôminos desde o incidente. “Aqui no Ephygênio Salles, amizades de infância foram cortadas e tanto condôminos quanto funcionários estão recebendo ameaças. Vários moradores já chegaram aqui dizendo que foram ameaçados por telefone e funcionários já disseram que chegaram a ser hostilizados quando andam de ônibus usando o uniforme do condomínio. Isso é uma situação absurda”, relatou.

Ana Paula Levy, moradora do local, disse que reconhece a importância da mobilização social, mas não crê que acusações cegas sejam saídas para a situação. “Acho uma tragédia o que aconteceu. Aquela matança foi terrível e as imagens que saíram na mídia foram muito fortes, mas daí fazer essas acusações infundadas? Não consigo compactuar com isso”, argumentou.

A ira dos manifestantes foi algo que chocou muito os moradores do local. “Sabemos que um grupo veio pela manifestação, que achamos válida, mas também teve um grupo que veio só para fazer baderna e ofender. Tentaram bloquear a entrada do condomínio várias vezes durante o protesto, houve toda uma comoção. Não é porque gente rica mora aqui que todo mundo aqui é bandido. Bandido existe em todo lugar”, desabafou Regina.

Segundo a auxiliar administrativa, o assunto deixa um gosto amargo na boca dos condôminos por muitos deles serem entusiastas das aves. “Muitas das pessoas que moram aqui costumam filmar a cena que eles fazem aqui na frente. Além do mais, eles chegam a entrar aqui no condomínio e também cantam aqui dentro e, em todos os meus anos de participante nas reuniões do conselho, nunca vi ninguém se manifestar contra eles. É muito bonito [o que eles fazem]. É um privilégio ver isso todos os dias”, explicou.

Investigação

Regina também informou que as filmagens já foram remetidas aos órgãos administrativos e autoridades policiais competentes. De sua parte, a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Izolda Castrou, confirmou que solicitou o material de vídeo não só do Ephygênio Salles, mas de outros quatro condomínios da avenida, e que esse material será analisado na tentativa de que outras testemunhas possam ser identificadas e ouvidas.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) disse, em nota, que “conhece as imagens e está em sintonia com a Delegacia que está apurando o caso”. Ele também comentou que está à espera dos resultados da perícia para aplicar as devidas sanções administrativas aos responsáveis.

Redes

Regina ainda comentou sobre as polêmicas redes instaladas nas palmeiras da frente do condomínio. “Fizemos isso para proteger as palmeiras, pois elas eram muito danificadas pelas fezes dos animais. Apesar de os periquitos também pousarem nas palmeiras da área interna do Ephygênio Salles , eles não fazem nenhum dano substancial por não estarem em um grande número, mas na frente, é um bando enorme e a situação é mais complicada”, contou.

Ela mantém que a operação foi autorizada e feita com a anuência dos órgãos competentes. “Fizemos uma consulta ao Ibama em 2011, inclusive perguntando sobre um plano de remanejamento dos periquitos, mas o órgão julgou inviável considerando o número massivo de aves que temos aqui e também não enxergou alternativa. Levamos a situação a Semmas, que sugeriu a colocação das redes como medida de proteção das árvores, o que fizemos em 2012. Em verdade, só instalamos as redes em uma época do ano, geralmente no final, é uma conduta sazonal”, concluiu.

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