Publicidade
Amazônia
Amazônia

Vidraçaria em janela é um problema ‘silencioso’ para as aves

Pesquisador pretende medir o número de colisões dos pássaros com prédios e janelas envidraçadas de Manaus 03/10/2015 às 10:51
Show 1
Dois periquitos se aproximam de janela, mas conseguem evitar a colisão
Isabelle Valois Manaus (AM)

Janelas de prédios acima de três andares e que refletem o céu são consideradas um risco para os pássaros da cidade, conforme pesquisadores. Por verem o céu refletido, elas colidem com o prédio e, de acordo com a intensidade, acabam morrendo no momento do impacto. Horas após o ocorrido, lesões do acidente, principalmente hemorragia interna, também levam à morte.

Uma pesquisa do Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos provou que 1 bilhão de aves são mortas por colisão com janela a cada ano. O biólogo especialista em aves silvestres, Reynier Omena Júnior, resolveu buscar dados no Brasil e principalmente no Amazonas, quando descobriu que não há nenhuma pesquisa desse nível e muito menos lei para evitar qualquer tipo de acidentes com as aves.

“Como esta área é a minha especialidade, há um bom tempo venho observando que a maioria das aves morrem em consequência dessa situação com as janelas, pois como a maioria dos vidros refletem o céu, elas colidem e acabam morrendo mesmo”, explicou o especialista.

Com as pesquisas dele, o biólogo descobriu que no Brasil, pouco se sabe sobre os dados de colisão de aves contra janelas. No entanto, descobriu uma pesquisa da Universidade Nacional de Brasília apontando que aproximadamente 500 aves trombam e mais de cem morrem anualmente nas colisões com as fachadas espelhadas da Procuradoria-Geral da República.

“Durante o vôo, as aves não conseguem distinguir entre o que é real e o que é reflexo. Prédios isolados refletem o céu e a vegetação, facilitando os choques. São três colisões a cada dois dias e uma morte a cada três ou quatro dias. Como a vida útil dos edifícios é grande, o número de mortes pode passar da casa dos milhares no longo prazo”, avaliou .

Conforme Reynier, assim como nas principais capitais brasileiras, não há dados sobre colisão de aves com janelas de vidros em Manaus. “As técnicas de prevenção abrangem desde barreiras físicas, uso de filmes, pinturas, películas adesivas, mudança no posicionamento das janelas, entre outras. Várias soluções são propostas, cuja aplicabilidade deve ser ajustada as diversas estruturas e cenários construídos pelo homem moderno, mas pra isso, precisamos da elaboração de uma lei e fiscalização para ver se a ideia será cumprida”, explicou.

Proposta

Após descobrir que em Manaus não existe nenhum tipo de pesquisa ou estudo sobre o impacto ambiental que as janelas que refletem o céu pode ocasionar, o biólogo resolveu elaborar uma carta para entregar aos senadores do Estado, como uma sugestão de lei.

Dicas para evitar as colisões nos prédios

Aplicar insufilm na parte exterior das janelas para reduzir os reflexos do lado de fora delas. Isto permite que quem estiver dentro veja quem estiver fora; Instalar janelas foscas com superfícies menos reflexivas; Quando as janelas forem transparentes, manter as cortinas e persianas fechadas para reduzir a ilusão de que as aves podem voar por elas.

Publicidade
Publicidade