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Medo

Abalados com tantos assaltos, motoristas de ônibus contratam seguro de vida

A onda de assaltos aos coletivos em Manaus e a falta de segurança amedronta cada vez mais funcionários das empresas e a população, que é quem mais precisa do transporte público 13/10/2016 às 09:50
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Linha 358 sai do Viver Melhor, cruza a Torquato, vai até a Cachoeirinha e volta fazendo a rota do terror para os rodoviários. Foto: Euzivaldo Queiroz
Alírio Lucas Manaus

“Eu saio de casa todos os dias sem saber se vou voltar”. É com essa sensação que um motorista da linha 358, que faz itinerário Viver Melhor/Cachoeirinha, relata ir trabalhar todos os dias. A onda de assaltos aos coletivos em Manaus e a falta de segurança amedronta cada vez mais funcionários das empresas e a população, que é quem mais precisa do transporte público. Com medo de morrer, tem trabalhador fazendo seguro de vida.

Só em Manaus, de janeiro a setembro, o número de assaltos chegou a quase 2 mil casos.

Preocupado com o seu filho que ainda é criança, o motorista de 31 anos, que preferiu ter a identidade não revelada, da empresa Açaí Transportes, fez um seguro de R$ 100 e colocou o filho de quatro anos como o herdeiro, em caso de morte.

“Eu não sei se eu vou voltar pra casa. Eles estão cada vez mais agressivos quando entram nos coletivos. Eles matam, eles batem, eles furam. É triste, mas é a realidade. Prefiro pagar R$ 100 por mês de seguro e saber que meu filho, que ainda é pequeno, poderá, caso aconteça alguma coisa comigo, ter alguma coisa para ajudar na sua criação”.

O motorista também não é o único a pagar seguro. O cobrador da mesma linha, que também não quis ter a identidade revelada, também fez um seguro, só que de R$ 30. Ele disse que quando  as festas de fim ano vão chegando, a preocupação também pega carona, já que os números de assaltos aumentam na cidade. “Quando vai chegando fim do ano a gente fica muito preocupado. Por que sabemos que os assaltos na cidade aumentam e não é diferente nos coletivos”, disse, pedindo que o policiamento melhore, principalmente no Viver Melhor, onde começa o itinerário da linha, na Zona Norte.

Assaltos em crescimento
Não espanta que o motorista tenha feito um seguro de vida. “Quando eu era cobrador fui assaltado umas sete vezes, depois virei motorista e já fui assaltado mais umas cinco. Teve certa vez que os assaltantes entraram no ônibus e anunciaram o assalto e como não tinha renda, eles me agrediram. Foi horrível. Passei duas semanas afastado me tratando com um psicológico, pois me abalou bastante”, relatou o motorista, que também durante cinco anos foi cobrador da empresa.

Entre janeiro e agosto as dez empresas que compõem o sistema de transporte coletivo de Manaus registraram 1.925 assaltos, uma média de nove ocorrências por dia. O prejuízo chega a mais de R$ 600 mil, valor que dava para adquirir, segundo dados do Sinetram, dois ônibus novos. No mesmo período de 2015, foram 1.749 assaltos.

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