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Manaus Hoje
Temor e terror

Acuados pelo crime, moradores da Colônia Antônio Aleixo clamam por mais segurança

Atuação de criminosos em locais estratégicos da comunidade, nos últimos tempos, está deixando alarmada a população daquele bairro da Zona Leste; reunião entre comunitários expôs graves problemas 08/04/2016 às 06:00 - Atualizado em 08/04/2016 às 09:25
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O hanseniano Raimundo Barreto, e atrás dele a lotérica que foi assaltada esta semana na Colônia Antônio Aleixo (fotos: Aguilar Abecassis)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Bairros como a Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste da cidade, não convivem apenas com a “sensação de insegurança”, mas com a ausência total de tranquilidade devido tantos casos de assaltos e outros crimes nos últimos meses. Da ousadia dos crimes a mão armada, passando pela intimidação por parte dos meliantes (boa parte deles jovens e adolescentes) e culminando no tráfico de drogas, a população daquela área vê, pouco a pouco, a área na qual antes consideravam tranquila se transformar em um barril de pólvora prestes a explodir com a paciência dos moradores.

Inconformadas, lideranças comunitárias, religiosas, comerciais e de categorias como saúde, educação e mototaxistas se reuniram, nesta quinta-feira (7), com representantes da Polícia Militar, para discutir a questão e formular ações visando chamar a atenção das autoridades da segurança pública para o problema.

Apesar de convidado, o delegado do 28º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Caio César, não compareceu ao encontro com os comunitários. O único representante de órgão relativo à segurança presente foi o tenente PM S. Menezes, que, por coincidência, foi morador do bairro.

Ficou deliberado que, sob a coordenação da Associação dos Moradores da Colônia Antônio Aleixo (AMACCAA), as lideranças vão organizar, em data a ser definida brevemente, uma passeata com os setores públicos. Além disso, os moradores vão tentar uma audiência com o secretário de Segurança Pública (SSP), delegado Sérgio Fontes.

'CRIME ESTRATÉGICO'

A “gota d’água” para o encontro foram os recentes assaltos a mão armada registrados na última sexta-feira (1º ) em dois locais estratégicos do bairro: o prédio onde fica localizado o Serviço Comunitário de Água que abastece as residências da comunidade – onde os criminosos renderam os funcionários e levaram cerca de R$ 1600 – e na terça-feira passada (5) na casa lotérica “Colônia”. Ambos os estabelecimentos ficam ao lado do prédio onde fica o 28º Distrito Integrado de Polícia. 

No primeiro caso, o proprietário da lotérica, o paranaense Élcio Colla, reagiu ao assalto e por muito pouco não foi atingido pelo disparo de um dos dois criminosos durante a tentativa de invasão ao local. Percebendo a tempo o perigo que estava correndo, ele abriu a porta reservada aos funcionários do estabelecimento e, minutos depois, os criminosos levaram uma quantia em dinheiro não-revelada.

De trabalhador a vítima, ele sugere que a PM atue com uma ronda mais ostensiva na Colônia Antônio Aleixo. Mas com os vidros abaixados. “Após o assalto um dos meliantes passou atrás da viatura da Polícia Militar e os PMs não viram nada pois estavam no ar-condicionado”, desabafa Colla.
Há o temor de que, em face da insegurança, o proprietário feche a lotérica, que funciona como local autorizado pela Caixa Econômica para transações de pagamentos e recebimentos.

PRECONCEITO E INSEGURANÇA

Um dos mais antigos  moradores da Colônia Antônio Aleixo, o aposentado Raimundo Barreto, o Seo Barreto, de 76 anos, é a história viva do bairro. Morador do local desde 1950 e hanseniano, ele viveu a época em que a doença era vista com preconceito. Hoje, se vê sob o estado de insegurança da comunidade onde chegou, da cidade de Coarí, ainda criança.

“Já encontrei a porta da delegacia trancada. Há alguns anos tive minha máquina de lavar roubada de dentro de casa. Eu decidi, após esses fatos, não chamar mais a polícia pois ela não me dava a resposta adequada”, relata Seo Barreto.

FRASE

"Estão assaltando até as igrejas e os centros de referência para as crianças do bairro", diz Vilmar Souza, presidente da AMACCAA

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