Sábado, 19 de Setembro de 2020
Interior

Advogada tenta extorquir sítio de idosa em Manaquiri

Esquema foi descoberto pela filha da idosa. Além de Camila Cordeiro Batista, foram presos também Cleuder Batista Menezes, Milena Cordeiro, Marcus Augusto Cordeiro e Marivaldo Cordeiro



WhatsApp_Image_2020-08-07_at_18.16.01_282323A5-72AE-4B59-8988-3626C2458ABD.jpeg Foto: Divulgação
07/08/2020 às 18:32

A advogada Camila Cordeiro Batista foi presa na última quinta-feira por expulsar ilegalmente uma moradora da comunidade Nossa Senhora Aparecida, Lago do Januacá, em Manaquiri. 

Conforme o Ministério Público, no último dia 25, por volta das 10h, Camila e mais quatro pessoas abordaram a moradora, apresentaram à vítima um “Mandado de Intimação para Desocupação e Reintegração de Posse” falsificado e deram um ultimato à idosa: que ela deixasse o local dentro de duas horas.
A advogada enganou a mulher dizendo que os demais membros do seu bando eram um oficial de Justiça e policiais civis, que a expulsariam caso ela não saísse voluntariamente do imóvel. 

A mulher saiu, mas a filha dela registrou imagens da reintegração forjada pelo grupo, que estava armado e fazia ameaças à vítima.
A vítima então procurou a polícia, que averiguou os fatos junto ao Fórum de Justiça de Manaquiri e constatou a fraude. 

Na casa, ilegalmente ocupada, o grupo se recusou a colaborar com a equipe policial, desautorizando a realização de busca e apreensão no local, o que levou o delegado a instaurar inquérito. 

“Assim que o Ministério Público tomou conhecimento do caso, imediatamente, requeri a prisão preventiva dos cinco envolvidos, mais busca e apreensão dos aparelhos telefônicos, a fim de verificar a existência de provas constantes nos aparelhos que indicassem se aquela prática era recorrente ou era a primeira vez que aquela quadrilha agia”, informou a promotora de Justiça Karla Cristina da Silva Sousa, que pediu a prisão do grupo.



A polícia também cumpriu mandado de busca e apreensão de aparelhos celulares, bem como de quebra de sigilo telefônico dos envolvidos.
Além da advogada, foram presos também Cleuder Batista Menezes, Milena Cordeiro, Marcus Augusto Cordeiro e Marivaldo Cordeiro. Eles foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, extorsão, usurpação de função pública, uso de documento falso, ameaça e desacato.

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Segundo a promotora Karla Cristina, a condição de advogada, ostentada pela líder do grupo, não é impedimento para a decretação da prisão preventiva em razão da gravidade dos delitos evidenciados no pedido de prisão e do fato de ela se utilizar da função para garantir a eficácia dos crimes.

“Os delitos praticados são de extrema gravidade, principalmente, a extorsão praticada com uso de armas de fogo, cuja pena é reclusão de 4 a 10 anos, aumentada de um terço à metade pelo uso das armas. A ordem pública claramente se encontra abalada com a conduta dos envolvidos, restando evidente que a mera aplicação de medidas cautelares diversas da prisão não se mostra suficiente ante o evidente temor de que eles interfiram no andamento das investigações”, afirma.

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