Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020
Zona Norte

Alunos denunciam casos de assalto em parada de ônibus

Caso mais recente foi na tarde de quarta-feira (18), por volta das 16h20



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19/11/2020 às 20:33

Cansados e com medo dos constantes assaltos que ocorrem no entorno da Fundação Matias Machline (antiga Fundação Nokia), na avenida Ministro João Gonçalves de Souza, no bairro Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus, pais e alunos estão preocupados com a ousadia dos bandidos. O caso mais recente foi na tarde de quarta-feira (18), por volta das 16h23, em frente à instituição de ensino.

Uma adolescente, de 16 anos, aguardava com outros colegas o transporte coletivo em um ponto de ônibus, no sentido bairro-Centro, quando dois homens armados chegaram ocupando uma motocicleta e anunciaram o assalto, os quais roubaram celulares dos estudantes. Na ocasião, a estudante reagiu e tentou desarmar um dos bandidos, mas acabou baleada na mão e na perna.



Os criminosos fugiram sem serem reconhecidos. A aluna foi levada às pressas para a unidade de ensino, onde recebeu primeiros socorros. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encaminhou a jovem para um hospital da capital, sem risco de morte. Policiais militares da 7ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) fizeram buscas pela área, mas nenhum suspeito foi localizado.

Rotina

Ao A Crítica, a mãe de uma aluna, que preferiu não se identificar, revelou que os assaltos a mão armada viraram rotina na saída da escola. Segundo ela, os bandidos agem quando não há policiamento.

"Todos os país estão cansados e horrorizados com essa situação. A falta de policiamento próximo a escola está favorecendo a bandidagem, causando medo. Sem segurança, os alunos ficam vulneráveis quando estão a caminho de casa. Isso acontece mais no período da tarde, na hora da saída da escola", denunciou a mãe de uma aluna.

À reportagem, os alunos relataram que por causa dos assaltos há mais de um ano a rotina deles foi alterada. Por segurança, eles, agora, andam em grupo, mesmo assim, não é suficiente para evitar o assalto. Eles afirmaram que as viaturas policiais permanecem uma semana e ficam ausentes em outra.

"Há dois anos, eu percebi que iria ser assaltado e corri às pressas para a escola. A direção orienta que é para andarmos sempre em grupo, mas isso não intimida os criminosos que são na maioria das vezes agressivos", revelou um adolescente de 18 anos.

Durante a entrevista, uma aluna de 17 anos contou que já escapou de um assalto e revelou ter presenciado amigos sendo abordados por criminosos enquanto aguardava o ônibus do transporte público.

"No ano passado eu presenciei dois assaltos. Em um dos casos, um bandido chegou a correr atrás de mim com uma faca, mas conseguiu fugir. Fiquei com muito medo quando o bandido quis roubar o meu celular. Neste ano, testemunhei um arrastão. É na saída da escola que os bandidos atacam. Polícia só aparece aqui quando tem assalto", afirmou a aluna.

Resposta da polícia

Por conta dos roubos nas proximidades da escola, uma guarnição da 7ª Cicom foi enviada para manter a segurança dos alunos no ponto de ônibus. Conforme um sargento que preferiu não se identificar, a maioria dos assaltos acontecem devido os alunos ficarem usando celulares enquanto aguardam o transporte.

"Infelizmente, os assaltos acontecem porque os estudantes acabam dando margem para os bandidos. Eles ficam em grupo próximo a uma quadra de esportes e usam o celular sem se importar com o perigo. Isso pode ser evitado, mas a Polícia Militar está fazendo o trabalho, mesmo atuando apenas com uma viatura para atender os bairros Crespo, Santa Luzia, Morro da Liberdade, Betânia, São Lázaro, Lagoa Verde e Distrito Industrial", disse.

Em nota enviada à A Crítica, a diretora Nancy Cavalcante, da Fundação Matias Machline, informou que está tomando todas as medidas cabíveis para tentar proteger os alunos e colaboradores. 

As ações de instalação de placa indicativas de área escolar e faixa de pedestre foi em decorrência das insistentes solicitações da FMM junto aos órgãos competentes.

Quanto ao incidente, a instituição está prestando apoio familiar. A nota reforça ainda que a direção realiza constante análise de alternativas para melhor proteção de todos.

A diretora ressalta que nesta quinta-feira (19), houve uma reunião com a 7ª Cicom, que atende o bairro onde está situado a FMM, e que se comprometeu mais uma vez em colocar uma viatura nos horários de entrada e saída dos alunos.

A Crítica entrou em contato com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), mas até o fechamento desta publicação, a corporação não respondeu sobre o caso e aguarda nota da assessoria de comunicação.


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