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Manaus Hoje
Zona Leste

Barricada, troca de tiros e três desaparecidos no Grande Vitória

Moradores do bairro, na Zona Leste de Manaus, viveram um sábado de medo e confronto em plena rua 30/10/2016 às 19:49
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No dia seguinte aos protestos, o cenário parecia o de um ‘pós-guerra’ nesta rua do bairro, onde um carro foi incendiado. Fotos: Jander Robson/Freelancer
Dani Brito Manaus (AM)

O fim de semana foi marcado pela violência no bairro Grande Vitória, na Zona Leste, que teve uma noite de sábado (29) com protestos, carro incendiado na rua e embate entre manifestantes e policiais. O motivos seria o desaparecimento de três pessoas identificadas como Alex Júlio, o “Playboy”, Weverton Marinho e Rita Cássia, após terem sido detidas por policiais. Neste domingo (30), familiares e amigos dos três desaparecidos fizeram buscas pelos corpos em ramais nos bairros Puraquequara e Jorge Teixeira, ambos localizados na Zona Leste.

De acordo o autônomo e tio de Alex, os três estavam juntos na noite de sexta-feira, no conjunto Castanheiras, no bairro Zumbi, no momento que uma viatura da Polícia Militar teria parado e colocado todos dentro do carro. “Eles foram colocados dentro da viatura e, desde então, não tivemos mais notícias deles”, revelou o homem, que preferiu não ter o nome revelado por temer represálias. 

As buscas pelos desaparecidos iniciaram no sábado. Segundo as pessoas que estavam  participando da ação, as sandálias de Alex foram encontradas sujas de sangue próximo a um campo, no ramal do Quixito. “Ontem viemos aqui e achamos as sandálias dele junto com o sangue. No caminho, vimos vários rastros de sangue e hoje, enquanto estávamos fazendo as buscas, uma viatura nos parou. Ela tinha marcas de sangue na lataria e, quando perguntamos sobre as marcas, eles desconversaram e foram embora”, disse uma das pessoas que ajudava nas buscas.

Protestos

O desaparecimento do trio acabou gerando uma onda de protestos na noite do último sábado. Os manifestantes atearam fogo em pneus, atiraram para cima e ameaçaram invador a 4ª Companhia Interativa de Polícia (Cicom). Os comerciantes tiveram que fechar as portas dos estabelecimentos, com medo de terem as mercadorias saqueadas e quebradas. As manifestações duraram cerca de uma hora e meia.

Um comerciante disse que os manifestantes estavam muito furiosos, o que causou desespero entre os moradores do bairro. “Ontem vivemos um verdadeiro pesadelo. Fechamos as portas mais cedo e ficamos acuados, com medo que o pior acontecesse. Houve troca de tiros com a polícia e até foguetes. Eles fecharam a rua e mandavam os motoristas voltarem. Até um carro foi incendiado”, lembrou o comerciante.

Sem registros

No 4º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o delegado plantonista, Francisco Ricardo Cunha, informou que, até a tarde deste domingo (30), ninguém tinha sido preso por envolvimento no protesto, e que ninguém compareceu na delegacia para registrar o suposto desaparecimento das três pessoas apontadas.

Resquícios

A Crítica voltou até o local onde ocorreram as manifestações, no Grande Vitória, e encontrou um cenário de pós-confronto, com carcaças de objetos queimados na manifestação e um carro incendiado, atravessado em uma das ruas.  A reportagem tentou conversar com os moradores, mas ninguém queria falar sobre o assunto, temendo represálias.

“Isso é coisa de traficante, mas não podemos falar muita coisa. Aqui funciona a lei do silêncio”, disse um vendedor ambulante, que não quis se identificar. 

Em nota divulgada no final da noite de sábado, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) confirmou que moradores “fizeram uma manifestação em frente ao 4º Distrito Integrado de Polícia (DIP)” com “barricadas” e que “tacaram fogo em pneus”. Segundo a SSP, a situação foi controlada e “descartada qualquer ligação com o crime organizado”, e o 4º DIP não foi invadido.

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