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Manaus Hoje
Oportunismo

Bebê violentado: pessoas aproveitam de comoção social para benefício próprio

Familiares do menino de 1 ano e 4 meses estuprado e torturado denunciam grupos no WhatsApp pedindo falsas doações e até políticos tentando se promover em cima da história 16/06/2016 às 18:41 - Atualizado em 17/06/2016 às 15:42
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Mensagens circulam com pedidos de doação de fralda, leite, mingau, alimentos, brinquedos e até com número de conta bancária para depósito (Foto: Divulgação)
Vinicius Leal Manaus

O crime contra o bebê de 1 ano e 4 meses que foi estuprado e torturado pelo padrasto de 17 anos em Manaus causou grande comoção da população. Porém, pessoas estão se aproveitando da repercussão do caso para pedir falsas doações à criança e até políticos estão tentando se promover, conforme a advogada da família.

Uma mensagem circula no aplicativo de celular WhatsApp solicitando fraldas tamanho M, pacotes de leite, mingau, alimentos em geral e até brinquedos. Também há mensagens no Facebook com número de conta bancária para depósito e relatos de pessoas passando por condomínios e casas se identificando como parentes e pedindo doações.

“Existem grupos de vários cantos da cidade se aproveitando da situação para fazer arrecadação de alimento e valores em nome da vítima, mas isso se trata de oportunismo”, informa a advogada Léa Fernandes Amazonas. “A criança está se recuperando bem e a família tem todo o suporte financeiro para enfrentar essa fase”, disse.

Segundo a advogada, políticos da cidade também estão usando o caso para favorecimento próprio, enviando mensagens de promoção eleitoral e até televisionando doações. “Hoje mesmo chegou um deputado com um carro cheio de fralda, filmando, entregando as fraldas (no hospital)”, disse Léa.

Defesa da mãe

A advogada foi contratada pelo avô e pelos seis tios maternos do bebê para fazer a defesa da mãe no inquérito. A mãe está presa e foi indiciada por tortura em omissão e estupro de vulnerável em omissão. O suspeito do crime, o padrasto 17 anos, está detido e responderá por ato infracional análogo à tortura e estupro de vulnerável.

Segundo a advogada, os familiares maternos do bebê acreditam e querem provar a inocência da mãe. “Há mentiras sendo divulgadas nas redes sociais. A família está bastante revoltada com os xingamentos e o pré-julgamento da moça”, disse.

De acordo com Léa Fernandes, o pai biológico do bebê também é presente e está apoiando. “Eles têm a convicção da inocência dela. Eles são uma família bem grande e unida, e todo mundo acredita que tem uma história mal contada, todo mundo é a favor dela”, contou.

Ele confessou

O padrasto confessou o estupro e a tortura à polícia, disse que estava drogado e que maltratou o bebê ter ficado com ciúmes da namorada durante a festa de aniversário dela. Ele isentou a mãe de culpa. O ato aconteceu na madrugada do domingo passado, na casa deles, no bairro Mauazinho, Zona Leste.

A mãe negou envolvimento, disse que na noite de sábado saiu para a festa de aniversário dela, ingeriu bebidas alcoólicas e, quando chegou em casa, colocou o bebê para dormir entre ela e o namorado. “Apenas pela manhã (ela) observou o filho urinando sangue e com os hematomas”, disse a delegada Juliana Tuma.

O ato de estupro

De acordo com a polícia, o padrasto confessou que mordeu o bebê, que introduziu o dedo no ânus da criança e tapava a boca do menino para sufocar os gritos. A mãe relatou também que escutou o bebê chorando, mas que não quis se levantar. O crime só foi descoberto na manhã de domingo, após a avó estranhar as mordidas na bochecha do bebê.

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