Terça-feira, 02 de Junho de 2020
JULGAMENTO

Caso Joselito: tenente vai a júri pelo assassinato de colegas de farda

Joselito Pessoa Anselmo é acusado do homicídio de farda Edizandro Santos Louzada, Grasiano Monteiro Negreiros e tentativa de homicídio do borracheiro Robson Almeida Rodrigues e do major Lurdenilson Lima de Paula



show_tenente_7447C75B-094B-4B29-8D37-ABD1A774B89B.jpg Foto: Arquivo/A Crítica
10/03/2020 às 17:54

O tenente da Polícia Militar (PM) Joselito Pessoa Anselmo, vai sentar no banco dos réus na quarta-feira (18) para ser julgado pelo homicídio dos seus colegas de farda Edizandro Santos Louzada, Grasiano Monteiro Negreiros e tentativa de homicídio do borracheiro Robson Almeida Rodrigues e do major Lurdenilson Lima de Paula.

O crime aconteceu na madrugada do dia 5 de janeiro de 2019, na Rua Monte Horebe, Bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte e teve grande repercussão por tratar-se de um crime envolvendo policiais militares, que além de colegas de farda trabalhavam na mesma unidade policial e costumavam se reunir para beber.



Defesa do réu, o advogado Mário Vítor disse que desde o Carnaval está debruçado sobre o processo, lendo e relendo todas as páginas analisando as provas técnicas conseguidas durante o inquérito policial e pelas provas não foi Joselito o autor do crime. “Não sou eu quem está dizendo são as provas que estão no processo”, afirmou o advogado.

Mário Vitor não quis revelar a tese que defenderá para provar a inocência do réu, disse apenas que será surpresa. Joselito está aguardando o julgamento em liberdade depois de ter passado seis meses preso por conta do crime que cometeu.

Pela morte de Edizandro e Grasiano, o tenente Joselito foi denunciado pelo crime homicídio consumado qualificado pela traição conforme o artigo 121 do Código Penal Brasileiro (CPB). Em relação às vítimas Lurdenilson e Robson, Joselito foi denunciado pelo crime de homicídio tentado qualificado pela traição com base nos mesmos artigos ao anterior. 

O promotor da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Rogério Marques, na denúncia contra o tenente disse que o tenente fez uso de traição para o cometimento dos homicídios consumados e tentados, pois as vítimas eram seus conhecidos, estavam todos em paz dentro do veículo e nenhuma das vítimas podia esperar ser covardemente alvejada pelo denunciado naquele momento.

De acordo com a denúncia, no dia do crime o acusado e as vítimas estavam em uma viatura da Polícia Militar descaracterizado. Todos tinham acabado de sair de uma casa noturna e Edizandro conduzia o veículo quando, sem motivo aparente, o denunciado, que estava no assento do meio do banco traseiro sacou uma arma de fogo e passou a efetuar disparos em direção de cada ocupante do veículo, enquanto gritava dizendo que iria matá-los. 

O primeiro alvejado foi Edizandro que recebeu um tiro na região da nuca e morreu na hora. Lurdenilson, que estava no assento direito dianteiro, levou um tiro nas costas, atingindo a coluna cervical. Grasiano, que estava no banco traseiro atrás de Lurdenilson foi alvejado no pescoço e morreu em seguida. Robson, que estava no banco traseiro atrás do motorista, sofreu um tiro no ombro esquerdo enquanto tentava se defender do denunciado, ocasião em que também sofreu outros ferimentos.

Durante a luta, Robson conseguiu desarmar o denunciado e saiu correndo do local para buscar socorro para as vítimas, enquanto Joselito permaneceu no local e depois foi preso e levado para o 6º Distrito Integrado de Polícia no bairro Cidade Nova, onde ao ser interrogado negou ter atirado nos colegas, mas confirma que fez disparos para atingir e para se defender de pessoas de outro veículo que, segundo ele, estaria emparelhando com a viatura.

Repórter de A Crítica

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