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Manaus Hoje
CAOS

Criança de sete anos engole moeda e espera 48 horas por atendimento em hospital

Segundo a família da menina, depois de ficar quase 48 horas sem receber alimentação e água à espera de um procedimento para a retirada da moeda, a menina teve que ser levada pela própria família para outro hospital para que o procedimento fosse feito 30/03/2016 às 09:55 - Atualizado em 30/03/2016 às 16:30
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Dayane Sampaio de Lima ao lado da filha Minervina Vitória Sampaio de Lima, no hospital, enquanto vivia o drama de retirar uma moeda da garganta dela (Divulgação)
DANI BRITO MANAUS

A pequena Minervina Vitória Sampaio de Lima, de apenas sete anos, passou o último fim de semana internada no Pronto-Socorro da Criança da zona Oeste com uma moeda entalada na garganta. Segundo a família da menina, depois de ficar quase 48 horas sem receber alimentação e água à espera de um procedimento para a retirada da moeda, a menina teve que ser levada pela própria família para outro hospital para que o procedimento fosse feito e ela voltasse a se alimentar e beber água.

Conforme a mãe da menina, a atendente de lanchonete Dayane Sampaio de Lima, 25, elas moram na Vila Lindólia, localizada no quilômetro 180 da Rodovia AM-010, no município de Itacoatiara. A filha teria engolido uma moeda de 50 centavos por volta das 12h do último sábado. Desde então ela ficou correndo de hospital em hospital para que a criança fosse atendida e tivesse a moeda retirada da garganta. Ao todo foram quatro hospitais.

Sufoco

A tia da criança, Darcqueline da Costa, 35, disse à reportagem que a menina foi levada primeiramente ao Hospital Geral de Itacoatiara, porém o médico que fez o atendimento disse que a mãe tinha que aguardar uns três dias para que a moeda fosse expelida pelas fezes. Já em Manaus a mãe levou a filha ao Hospital Joãozinho, na zona Leste de Manaus. Porém, para a surpresa dela o local não dispunha de médico especialista em endoscopia para que o procedimento fosse realizado.

O terceiro hospital a ser procurado foi o Pronto-Socorro da Criança da zona Oeste. “Lá no Joãozinho me disseram que só no Pronto-Socorro da zona Oeste eu iria encontrar um endoscopista para retirar a moeda que estava entalada na garganta da minha filha. No hospital ela foi atendida e internada, mas como não tinha médico disponível, minha filha permaneceu até segunda-feira sem se alimentar, nem beber água”, relatou a atendente. A menina deu entrada no hospital às 22h de sábado.

De acordo com a direção, três especialistas trabalham no hospital, mas tudo deu errado. Um deles está de férias, o outro não foi ao local porque segundo ele o aparelho esofagoscópio dele estava com defeito, e o terceiro só foi encontrado na segunda-feira, porém estava de plantão no Hospital e Pronto-Socorro Dr. Platão Aristóteles Araújo, na zona Leste, e só pode ir à zona Oeste por volta das 18h30.

Após esperar 43 horas, Dayane, cansada, levou a filha por conta própria para o quarto pronto-socorro. Às 17h, a menina saiu da zona Oeste em direção ao Hospital e Pronto-Socorro da zona Sul, no bairro Cachoeirinha. Lá ela foi atendida por um especialista e finalmente teve a moeda retirada.

“Quando chegamos lá minha sobrinha foi atendida por um médico que em cinco minutos conseguiu retirar a moeda da garganta dela. Ficamos indignados com o descaso com que fomos tratados. Após a retirada da moeda, o médico a encaminhou para observação para que pudesse se alimentar e em seguida deu alta para ela”, informou a tia, aliviada pela vida da sobrinha.

Promessa de apuração

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) disse em nota que irá apurar. “A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informa que vai instaurar sindicância para apurar todas as circunstâncias do atendimento prestado pelo Pronto-Socorro da Criança da Zona Oeste”. Ainda segundo a família da menina, outros casos envolvendo engasgos foram registrados no hospital da zona Oeste. “Pelo menos três crianças deram entrada engasgadas com espinha de peixe. É um absurdo que não tenham nenhum médico disponível para atender”, desabafou a tia.

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