Sábado, 31 de Julho de 2021
ROTA DO RIO NEGRO

Da borracha à cocaína: Novo Airão vira entreposto do tráfico de drogas no Amazonas

A cidade que no século passado serviu de entreposto comercial nos tempos áureos da extração da borracha, hoje vive a realidade de entreposto para o tráfico de drogas no rio Negro



8c9c809b-b1fc-4ef1-9c81-95e59c6b1450_58474A51-36C2-4D47-AC9E-7CD86619D9E8.jpg Foto: Divulgação
24/04/2021 às 06:38

Novo Airão, região metropolitana de Manaus que no século passado serviu de entreposto comercial para borracha extraída no médio e alto Rio Negro, atualmente continua sendo entreposto, só que desta vez a mercadoria é outra: cocaína e maconha do tipo skunk, produzidas no Peru e na Colômbia, de acordo com informações do diretor do Departamento de Investigação sobre Narcótico (Denarc), Paulo Mavignier.

Só neste ano, as polícias Civil e Militar já apreenderam 2,520 toneladas de droga, a maioria maconha do tipo skunk, avaliadas em mais de R$ 11 milhões. A droga estava escondida em propriedades rurais de Novo Airão, de acordo com delegado, aguardando a oportunidade para ser levada para Manaus pela estrada que liga o município à capital amazonense.

Conforme relatório da Polícia Militar, os 920 quilos de skunk apreendidos no dia 21 de março estavam escondidos em uma comunidade rural em uma das 40 ilhas do arquipélago nacional de Anavilhanas, já os 1,6 quilos estavam escondidos em um sítio na estrada que liga Manacapuru a Novo Airão. A maconha do tipo skunk é chamada assim pois possui odor mais forte, daí o nome que em inglês significa gambá. Ela é produzida com maior concentração de substâncias psicoativas, produzidas após a mistura de várias espécies da erva.


Drogas são escondidas no meio da floresta para dificultar a localização pelas forças policiais. Foto: Divulgação

ROTAS DA DROGA

Banhado pelo Rio Negro, o município integra a região metropolitana de Manaus, que fica a 180 quilômetros de distância, e o acesso pode ser tanto terrestre, quanto fluvial. Tais características tornam Novo Airão uma cidade propícia para ser entreposto do tráfico. Conforme Mavignier, a rota do tráfico que passa por Novo Airão é a que vem pelo Rio Negro. “Assim como Manacapuru está para a droga que vem pelo rio Solimões, Novo Airão está para a que vem pelo Rio Negro”, comparou o diretor do Denarc.


Titular do Denarc, Paulo Mavignier detalha a chamada rota do rio Negro, que tem como uma das centrais a cidade de Novo Airão. Foto: Divulgação

De acordo com Mavignier, a rota do rio Negro sempre existiu, mas era pouco usada pelos traficantes devido aos perigos naturais do rio, porém passou a ser utilizada depois que piratas passaram a atacar as embarcações dos traficantes, que descem pelo Solimões matando a tripulação e ficando com a droga, além da presença da polícia na base Arpão que mantém operações permanentes de repressão aos crimes que acontecem no Solimões.

Para o diretor do Denarc, trazer a droga pela rota rio Negro exige dos traficantes uma logística complicada. Conforme Mavignier, a droga entra no Amazonas pelo distrito de Cucuí e chega ao rio Negro passando por São Gabriel da Cachoeira e Barcelos até chegar a Novo Airão.

Em algumas situações, os transportadores caminham quilômetros com a droga nas costas por trilhas dentro das matas até chegarem ao rio Negro, que é quando o escoamento segue tranquilo até Novo Airão.

De acordo com, o diretor do Denarc, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) já tem projeto para colocar no rio Negro uma base de segurança semelhante a Base Arpão, funcionando no Rio Solimões. A Secretaria também pretende investir em inteligência e acompanhar a rota dos criminosos pelos rios.



Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.