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Política

Delegado pode pedir prisão de PM que matou a tiro um deficiente mental, em Manaus

A vítima arremessou uma pedra contra o policial, que estava numa viatura. O PM fez o retorno, foi na direção do deficiente e mirou um tiro fatal 26/04/2016 às 04:00 - Atualizado em 26/04/2016 às 07:57
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As imagens do circuito interno de um estabelecimento comercial localizado bem na frente do local do crime gravaram o momento exato do disparo (Foto: Jander Robson/Freelancer)
Fabio Oliveira Manaus

O delegado titular do 30º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Raphael Campos, dever representar pela prisão preventiva ou temporária do soldado da Polícia Militar Samuel Anderson da Costa de Araújo, que ontem atirou no tórax do deficiente mental Ivan Paulo da Silva, 33, em Manaus, após ter sido atingido por uma pedra. A vítima veio a óbito.

O crime ocorreu na avenida Brigadeiro Hilário Gurjão (rua Fuxico), no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste da cidade, por volta das 8h. O PM é lotado na 30ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), e segundo o delegado Raphael Campos, a vítima era deficiente mental.

As imagens do circuito interno de um estabelecimento comercial localizado bem na frente do local do crime gravaram o momento exato do disparo, segundo afirmou o delegado Raphael Campos. De acordo com ele, a vítima apareceu no meio da rua e arremessou uma pedra na direção de uma viatura da 30ª Cicom, que seguia no sentindo da rua do Fuxico.

Após o fato, o policial militar fez o retorno e seguiu na direção da vítima, que, em seguida, arremessou outra pedra contra os militares. Segundo Campos, a imagem mostra a vítima correndo após as pedradas.“Acho que quando ele corre é o momento em que ele é baleado”, disse o delegado.

Um vendedor de jornais que viu tudo e preferiu não ser identificado, relatou que a pedra jogada pela vítima atingiu a cabeça do policial militar que conduzia a viatura. “Ele fez o retorno e foi na direção do cara (vítima) e deu dois tiros, mas somente um pegou e ele ainda correu, mas caiu lá na calçada”, explicou.

Em seguida, três viaturas da Força Tática e outras da 30ª Cicom chegaram ao local e o policial militar, autor dos disparos, foi levado para o 30º DIP.

Não deu as caras

Por telefone, o delegado Raphael Campos informou, ontem, por volta das 16h, que o soldado da 30ª Cicom ainda não havia se apresentado na sede do 30º DIP e que, caso não se apresente, iria representar pela prisão preventiva ou temporária.

“Nós temos imagens de uma panificadora que correspondem com os relatos de testemunhas na cena do crime. O policial militar não se apresentou na delegacia e, conforme os elementos colhidos no inquérito, vou representar pela temporária ou preventiva dele”, afirmou Campos.

Em nota, a Polícia Militar do Amazonas informou que o soldado Samuel Anderson reagiu à ação de um homem que atirava pedras em via pública e também na viatura da 30ª Cicom. Conforme a corporação, o policial já foi apresentado à Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) e que o caso será apurado de forma rigorosa.

Porém, o delegado Raphael Campos esclareceu que o soldado deve se apresentar no 30º por se tratar de um crime comum. “Não sei por que ele foi levado para a DJD porque foi um crime comum e não militar”, explicou. O caso também foi registrado na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Fugia de casa e ia para a rua

De acordo com o irmão da vítima, Raimundo Silvano, 37, Ivan tinha o costume de fugir de sua residência, localizada nas proximidades do local do crime. “Ele sempre fugia de casa, mas os policiais deram um tiro pra matá-lo”, disse.

Raimundo ainda criticou a ação do PM, dizendo que se fosse para cessar a atitude do irmão, o policial deveria atirar na perna e não na direção do peito, ou até mesmo ter tentado averiguar a situação. A vítima foi atingida com um tiro na altura do coração. O tiro transfixou para a axila esquerda.

A mãe da vítima, Doraline da Silva, 59, informou que chegou a dar café para o filho, por volta das 6h30, antes do mesmo fugir de casa. “Ele podia até fazer as badernas dele na rua, mas não podiam ter feito isso com meu filho”, lamentou.

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