Publicidade
Manaus Hoje
Investigação

Demora da perícia pode atrapalhar investigação sobre morte de professor

O professor Amin Costa Haddad, 50, morreu após ser esfaqueado por dois homens dentro do apartamento dele 09/09/2016 às 10:52 - Atualizado em 09/09/2016 às 11:51
Show 1133132
Mais de 30 horas após o professor ser esfaqueado e morto na casa dele, o Instituto de Criminalística (IC) ainda não havia feito a perícia no local
Alik Menezes Manaus (AM)

Mais de 30 horas após o professor Amin Costa Haddad, 50, ser esfaqueado e morto na casa dele, no bairro Compensa, Zona Oeste da cidade, o Instituto de Criminalística (IC) ainda não havia feito a perícia no local. A Polícia Civil trabalha com hipótese de latrocínio.

De acordo com procurador de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Alan Johnny Feitosa da Fonseca, apesar de o Código de Processo Penal não determinar prazo para que a perícia seja realizada, o atraso pode prejudicar as investigações e, consequentemente, a elucidação do caso porque a cena do crime pode ter sido alterada. “Os vestígios podem ser alterados ou apagados, impossibilitando o objetivo da busca da prova pericial ou prova criminal, tendo consequências desastrosas como a possibilidade de nulidade ou até mesmo não identificar o autor do crime, tornando o caso sem conclusão definitiva”, disse.

O delegado Adriano Félix, titular da Delegacia Especializada em Furtos e Defraudações (DERFD), disse que até ontem os criminosos ainda não haviam sido identificados, mas trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). “A princípio o caso estava com a delegacia de homicídios, mas como se descobriu que se trata de um latrocínio nós assumimos o caso. Estamos ouvindo as pessoas. Mas até o momento ainda não temos nada de concreto”, disse.

O crime

O professor Amin Costa Haddad foi assassinado a facadas por volta das 4h da manhã da última quarta-feira, no apartamento dele, na rua Carlos Fernandes, na Compensa.

Segundo uma sobrinha do professor, que não quis se identificar, o tio se fingiu de morto e, após perceber que os criminosos haviam fugido, foi até o apartamento dela, que fica no segundo andar do prédio. “Eu acordei com o pedido de socorro dele, ele dizia que tinha sido esfaqueado. Não perdi tempo e pedi ajuda dos vizinhos e levamos ele para o pronto socorro”, disse.

Dinheiro

Amin era proprietário do prédio e alugava vários apartamentos. Uma semana antes do crime o professor havia recebido o pagamentos de alugueis, mas o valor total não foi revelado pelos sobrinhos, que também não acreditam que o tio ainda estava de posse de toda a quantia.

De acordo com Márcio Haddad, sobrinho do professor, os criminosos não arrombaram nenhuma das portas do prédio. “Encontraram uma chave no chão, próximo do portão”, contou. “Ele não fazia mal para ninguém, não tinha inimigos, ele era a pessoa que mais ajudava os outros que eu já conheci”, lamentou o sobrinho.

Cobrança por justiça no velório

Amigos e ex-alunos do professor Amin Costa Haddad estiveram no velório dele, que foi realizado na Funerária Canaã, na Praça 14 de Janeiro. Eles destacaram as qualidades do professor e cobraram que o crime seja solucionado o mais breve.

Uma das ex-alunas do professor, que pediu para não ter o nome divulgado, disse que Amin era muito querido e influenciava de forma positiva as pessoas. “Eu não entendo como alguém faz isso, ele não fazia nada de ruim para ninguém, era uma pessoa disposta a ajudar todo mundo”, disse.

A influência foi tanta que a jovem, de 25 anos, decidiu ser professora e chegou a assistir cursos ministrados por Amin após se formar. “Ele era um exemplo, era um ótimo gestor, um ótimo professor, ele era um querido, um amor”, disse.

A pedagogo Risonete Paz também destacou as qualidades do gestor e cobrou justiça no caso. “Conheço ele desde 2011, ele era presente, amigo, um excelente educador que não tinha apenas a teoria, mas tinha a teoria e a prática inquestionáveis”, disse.

Publicidade
Publicidade