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Manaus Hoje
REBELIÃO

Detentos que iniciaram rebelião com reféns no CDPM serão transferidos da unidade

O conflito foi encabeçado por seis detentos da facção criminosa PCC, os mesmos que se rebelaram no último dia 26 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) 04/05/2016 às 08:23 - Atualizado em 04/05/2016 às 11:51
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A negociação para liberação dos reféns e o fim da rebelião durou mais de 5 horas e foi comandada pela Seap e pela Comissão de Direitos Humanos da OAB Amazonas (Divulgação/PM)
ACRITICA.COM

Terminou na madrugada desta quarta-feira (4), em Manaus, a a rebelião com reféns dentro do Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), penitenciária localizada no km 8 da rodovia BR-174. O motim iniciou no final da tarde e foi comandada por seis detentos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Quatro pessoas foram feitas reféns, entre três agentes penitenciários e uma enfermeira. Nenhuma pessoa ficou ferida durante e após a rebelião, que encerrou por volta da meia noite, segundo informou Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

O conflito encabeçado pelos seis internos iniciou na área de triagem e na enfermaria, um dos primeiros acessos do corredor do CDPM. Os detentos renderam os funcionários com tesouras e objetos que encontraram na enfermaria, e despejaram álcool nas roupas dos reféns, segundo a Seap.

São eles Fabrício Duarte Araújo, Rômulo Brasil da Costa, Thiago Silva Araújo, Paulo Henrique Gomes Aniceto, João Valério Mourão de Carvalho e Huerdeson Paulino de Melo. Eles são os mesmos que se rebelaram no último dia 26 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e alegam ser da facção criminosa PCC.

Negociação

A negociação para liberação dos reféns e o fim da rebelião durou mais de 5 horas e foi comandada pela Seap e pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), com apoio da Polícia Militar.

Transferidos

O secretário de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio, afirmou que os seis internos envolvidos na rebelião foram encaminhados na madrugada para o 19º Distrito Integrado de Polícia (19º DIP) e depois deverão ser transferidos do CDPM para outra unidade.

“Os envolvidos foram encaminhados à delegacia para os procedimentos legais e serão posteriormente conduzidos para outra unidade prisional. A exigência deles era exatamente essa, no final do mês passado alguns desses internos realizaram ação semelhante, em menor escala, no Compaj pedindo para serem transferidos para esta unidade”, disse Florêncio.

Fuga em massa

Na segunda-feira (2), 39 detentos, sendo 7 deles considerados de alta periculosidade, conseguiram conseguiram fugir do CDPM através de um túnel de 11 metros, cavado durante quatro dias. O titular da pasta, Pedro Florêncio, culpou a empresa responsável do serviço – a Umanizzare Gestão Prisional – pela fuga em massa.

Segundo Florêncio, a última revista feita pela empresa havia ocorrido no dia 27 de abril, cinco dias antes da fuga, tempo suficiente para o grupo cavar um túnel sem ser percebido. Eles usaram pedaços de ferro, uma palheta de ventilador, baldes e outros objetos para cavar o buraco.

As buscas pelos 39 foragidos estão sendo conduzidas pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Polícias Civil e Militar, com o apoio do Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen) da Seap. Denúncias e informações podem ser realizadas anonimamente através do número 181 (Disk Denúncia da SSP-AM).

Resposta da empresa

Apontada por Pedro Florêncio como a responsável pela fuga em massa de 39 presos CDPM, a empresa Umanizzare Gestão Prisional Privada afirmou que a gestão da casa penal é exclusiva do Estado e que segue as diretrizes estabelecidas pela pasta.

Em nota, divulgada na terça-feira (3), a empresa criticou a superlotação do local. “A superlotação é uma realidade. Entendemos a necessidade do Estado de abrigar esses presos, mas ultrapassar o limite de detentos em quase três vezes a capacidade realmente aumenta potencialmente os riscos. Temos cumprido nosso papel, muitas vezes realizando serviços além dos contratados junto ao Estado do Amazonas”, constava na nota.

* Colaborou o repórter Carlos Brandão, da TV A CRÍTICA

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