Domingo, 22 de Setembro de 2019
INTERIOR

Dois jovens foram mortos por PMs em menos de um mês no interior do AM

As abordagens policiais que provocaram a morte de Sharley Sales, no município de Jutaí, e de Thalia Oliveira, em Rio Preto da Eva, aconteceram no período de 22 dias



aagora_voltinha_dois_7D51D0F6-EDC0-4386-94B1-4B27838FF48A.JPG Foto: Arquivo Pessoal
19/08/2019 às 14:19

Em menos de um mês, dois jovens de 18 anos foram mortos vítimas de disparos de arma de fogo durante ações de policiais no interior do Amazonas. Os PMs suspeitos de cometerem os crimes foram afastados das próprias funções. Um deles foi preso e já tinha sofrido inquérito por abuso de autoridade. Nas ocorrências, respectivamente, as vítimas foram alvejadas nas costas e na cabeça. 

O primeiro caso aconteceu no dia 28 de julho no município de Jutaí (município distante 749 quilômetros em linha reta de Manaus). O jovem de 18 anos, identificado como Sharley Sales Mendes Fermin Junio, foi morto por um cabo da PM, no momento que trafegava pela contramão em uma rua da cidade. Um dos tiros deles atingiu as costas da vítima que veio a óbito no local. 

Em um vídeo que a reportagem teve acesso, o jovem aparece passando de moto na contramão quando o policial corre em sua direção e efetua os disparos. Segundo familiares, Sharley estava retornando de uma praça, de madrugada, e por não ter intenso movimento de veículos no horário decidiu encurtar caminho pela contramão. 

O policial militar suspeito de cometer o crime, Ariel da Cruz Bastos, já respondeu por inquérito militar que apurou desvios de conduta e abuso de autoridade cometido pelo PM e um parceiro, contra um comerciante de Manaus, durante uma abordagem em 2014. Atualmente, ele se encontra preso preventivamente no município de Tefé, após decisão do juiz Daniel Manussakiss, da Comarca de Jutaí.

Estudante assassinada

O caso mais recente aconteceu nesse domingo (18), por volta das 5h, no município de Rio Preto da Eva (distante 60 km em linha reta de Manaus). Thalia Oliveira, de 18 anos, voltava com um amigo de uma festa em um posto de combustível em uma motocicleta, quando eles foram parados em uma blitz da PM.

Na ocasião, o condutor e o sargento da Polícia Militar identificado o como Rosivaldo Oliveira, teriam entrado em uma discussão e, ao deixarem o local (a vítima e o condutor do veículo), o policial atirou em direção a eles, atingindo a cabeça da vítima.

Thalia estava cursando o 1º período do curso de Psicologia, em uma faculdade particular da capital.  Ela ainda foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu ao ferimento e morreu no local. O Instituto Médico legal (IML) foi acionado e fez a remoção do corpo.

Em nota, o Comando Geral da Polícia Militar informou que o sargento da PM efetuou o disparo, que atingiu a jovem, após a motocicleta não parar durante abordagem policial. O caso será apurado pela Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD), que instaurou procedimento administrativo contra o militar que responderá a Inquérito Policial Militar (IPM), com o imediato afastamento de suas funções até a conclusão dos procedimentos judiciais cabíveis.

Treinamento

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), nas barreiras policiais, o militar realiza três procedimentos padrões: revista pessoal, abordagem ao veículo e a conferência de documentação para averiguação de possíveis irregularidades. Na ausência de anormalidades o veículo é liberado. 

A SSP comunicou que todos os militares seguem o Procedimento Operacional Padrão (POP), previamente aprovado pela Corporação, que se resume em instrução técnica voltada a métodos realizados em ações policiais ostensivas e preventivas de abordagem, patrulhamento entre outras situações. Também é realizado treinamento tático operacional que habilita o policial a atuar em situações de risco.

Questionada se os policiais que atuam no interior passam por algum acompanhamento psicológico, a pasta informou que, em caso de necessidade, os policiais militares são encaminhados para atendimento em Manaus, no Núcleo de Atendimento de Psicologia da Corporação, localizado no Comando Geral da Polícia Militar, em Petrópolis, na Zona Sul.

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Repórter de A Crítica

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