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Manaus Hoje
NINGUÉM FAZ NADA?

Equipe de reportagem flagra três assaltos em uma hora, no Terminal da Matriz

Os crimes acontecem à luz do dia, em meio aos usuários do transporte coletivo e vendedores ambulantes que tomam conta do local 27/04/2017 às 05:00
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Universitária teve o cordão arrancado do pescoço na frente da nossa reportagem, como se fosse um ato banal. Foto: Jander Robson
Dani Brito Manaus

Sabe aquele samba que diz “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão!”? Ele bem poderia ser tocado em alto e bom som no Terminal da Matriz, no Centro de Manaus. Os roubos no local são tão constantes que já não surpreendem as pessoas.

Na última terça-feira (25) a equipe de reportagem do PORTAL ACRITICA foi ao local e durante uma hora em que ficou lá, conseguiu registrar três crimes, de 11h45 à 12h45.

Os crimes acontecem à luz do dia, em meio aos usuários do transporte coletivo e vendedores ambulantes que tomam conta do local. Os autores dos roubos e furtos não se intimidam com a população e em poucos minutos depois de agirem e correrem de lá com os objetos roubados, retornam às paradas para pegar novas vítimas.

Uma universitária de 42 anos foi uma delas. Ela teve o cordão roubado a menos de um metro da nossa equipe de reportagem. “Quando cheguei aqui na parada de ônibus observei que dois homens me olhavam e justamente por isso me afastei deles. Só que em uma fração de segundos um deles pulou em cima de mim e puxou meu cordão. Fiquei tão nervosa que não tive ação nem mesmo de gritar”, disse a mulher, que lembrou já ter sido assaltada outras vezes no local.

Na hora do crime as pessoas que estavam próximas à vítima continuaram aguardando ônibus, como se nada tivesse acontecido. “A gente sabe que nada vai acontecer. Eles são muitos e ficam nos observando. A polícia só passa por aqui de vez em quando e isso deixa os bandidos livres para agirem”, confessou uma vendedora ambulante de 50 anos, que trabalha no local há cerca de 20 anos e disse já ter perdido a conta de quantas pessoas já viu sendo assaltada desde o início deste ano.

Andando pelas paradas de ônibus, conseguimos flagrar mais dois crimes. Eles foram efetuados pela mesma pessoa, sendo o primeiro no início da estação e o segundo, no final, quando o rapaz pulou na direção da janela de um coletivo e roubou um celular. Conforme um vendedor de 46 anos, que trabalha no local, o bandido passa o dia na Matriz. “Ele chega aqui de manhã e fica observando as pessoas. A gente nem fala mais com a polícia porque nunca fazem nada”.

Todo mundo com medo
Ontem retornamos ao local pelo segundo dia seguido e percebemos que os  infratores que atuam naquela área perceberam a presença do MANAUS HOJE. Dois policiais militares  nos informaram que atuam no local diariamente, das 7h às 15h, sendo substituídos por outra dupla da partir deste horário.

Seja pela falta de polícia ou pela falta de resposta com as prisões dos infratores, a população tem medo e acha que nada vai mudar.

“Trabalhamos aqui dentro das nossas condições. Um dos problemas que enfrentamos é a falta de comunicação das vítimas sobre os delitos. As pessoas que trabalham aqui até sabem quem são estes infratores, mas quando perguntamos, eles não falam, por medo de serem repreendidos pelos integrantes desta quadrilha”, disse o soldado Fábio Queiros, da 24ª Cicom.

Compro objetos roubados
Os roubos são uma verdadeira fonte de renda naquela parte do Centro. Flagramos um homem gritando na rua, ao lado da Igreja da Matriz, que comprava objetos roubados. “Compro ouro, celulares, relógios. Não precisa de nota fiscal, pode ser roubado, puxado e achado”. Ao ver a aproximação da reportagem o homem foi embora do local desconfiado.

Entramos em contato com a 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e fomos informados pelo aspirante Pedro Melo,  que aquela área é considerada crítica pela corporação e que existe policiamento no local ao longo do dia.

“Temos no local duas duplas de policiais. Além disso, uma viatura passa pelo local constantemente. O problema daquela área vai além do policiamento, é um problema social. Temos ali um grande número de prostitutas, usuários de drogas e ladrões. Hoje mesmo realizamos a prisão de um infrator, mas daqui a pouco ele está de volta às ruas. Fazemos o nosso trabalho, mas o problema é muito além”, disse o policial.

Recentemente as autoridades resgataram a dupla de policiais Cosme e Damião, no Centro, mas não se pode dizer que está dando resultado.

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