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Manaus Hoje
três jovens sumidos

Familiares acusam tenente de assédio contra um dos desaparecidos do Grande Vitória

Interesse de um policial da 4º Cicom em um dos três jovens desaparecidos desde sexta (28), quando foram abordados por militares da unidade, é apontado como possível motivo para o sumiço 01/11/2016 às 05:00 - Atualizado em 01/11/2016 às 10:49
Show desaparecidos
Equipes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano estiveram no local no dia do protesto (Foto: Divulgação)
Kamyla Gomes Manaus (AM)

Um misto de angústia, medo e esperança tomam conta dos familiares dos três jovens que estão desaparecidos desde a madrugada de sexta-feira, depois que eles foram abordados por policiais militares, no bairro Grande Vitória. O caso gerou revolta e até manifestação no dia seguinte. Os desaparecidos são o mecânico Alex Julio Roquer de Melo, 25, a atendente de caixa Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Everton Marinho, 20. A corregedoria interna da Polícia Militar (DJD) já foi acionada e vai investigar o caso.

Familiares disseram que, durante a abordagem, os três foram colocados dentro da viatura e desde então não foram mais vistos e ninguém teve nenhum tipo de notícia sobre o paradeiro deles. No sábado, as sandálias de Alex foram encontradas em um campo em meio a bastante sangue. Eles fizeram buscas mas nada foi encontrado.

A mãe de Alex, uma  diarista de 47 anos, que preferiu não ter o nome revelado temendo represálias, disse que o filho não tem envolvimento com o mundo do crime. A diarista e outros familiares acreditam que o desaparecimento dos três pode ter se dado por conta do interesse pessoal que um policial da 4° Companhia Interativa Comunitária (Cicom) teria com Alex.

Eles disseram também que, em algumas vezes, esse policial, que é tenente da unidade policial, chegou a assediar Alex e teria ficado inconformado com a negativa do rapaz. “Uma vez, durante uma abordagem próximo de casa, esse policial disse que um dia iria pegar o Alex e quem estivesse com ele”, afirmou a mãe do mecânico.

A diarista disse que já havia perdido as esperanças de encontrar o filho com vida, mas que a sandália deixada no local, é um sinal de que ele possa estar vivo. “Ele não é besta. Acreditamos que fizeram algo com eles e que a sandália deixada lá foi uma espécie de sinal”.

No dia do desaparecimento, os jovens retornavam de uma festa, em um campo onde carros com “paredão” tocam funk. Uma parente de Rita, que não quis ter o nome revelado, informou que a jovem gostava muito de festas e sempre saía bastante, mas que nunca os deixou sem informação de seu paradeiro.

“Ela é uma boa moça. Estuda, trabalha e é responsável. Como todo jovem, ela gostava muito de sair para as festas”, disse, acrescentando que naquele dia ainda chegou a receber um telefonema da jovem, por volta de 23h, mas que não atendeu por já está dormindo.

Os familiares dos desaparecidos dizem que, assim que tiverem alguma informação sobre o paradeiro dos três, pretendem sair de suas residências o quanto antes, até porque se sentem ameaçados pela própria polícia.

Investigação

O Comando da PM informou que já tomou conhecimento das denúncias e determinou a Diretoria de Justiça e Disciplina da instituição (DJD) que apure os fatos para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

O desaparecimento

Um vídeo mostrado pela família ao A Crítica mostra os três jovens descendo da motocicleta que estavam e sendo abordados por duas viaturas. Desde então, eles não foram mais vistos.

Revolta

O desaparecimento do trio acabou provocando uma onda de protestos na noite do último sábado (29). Os manifestantes atearam fogo em pneus, atiraram para cima e ameaçaram invador a 4ªCicom. Os comerciantes tiveram que fechar as portas dos estabelecimentos, com medo de terem as mercadorias saqueadas e quebradas. As manifestações duraram cerca de uma hora e meia. Por volta das 21h a situação no local já estava contornada. Não havia registros oficiais de mortos ou feridos no protesto.


Foto: Jander Robson/Freelancer

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