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Manaus Hoje
após fuga em massa

Integrantes do PCC fazem cinco reféns em rebelião no CDPM em Manaus

Quatro agentes penitenciários e uma enfermeira estão sendo mantidos como reféns desde o início da noite 03/05/2016 às 20:10 - Atualizado em 03/05/2016 às 23:19
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Policiais da Ronda Cândido Mariano (Rocam) e da Tropa de Choque foram acionados para fazer a negociação
Rafael Seixas e Joana Queiroz Manaus (AM)

Três membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) fizeram quatro agentes penitenciários e uma enfermeira de reféns na noite desta terça-feira (3), por volta das 19h, no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), que fica situado no km 8 da BR-174 - o presídio é o mesmo de onde fugiram, por um túnel, 39 detentos nesta terça-feira (2). As informações foram repassadas à reportagem pela Polícia Militar do Amazonas e pelo secretário de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio Filho.

Segundo a corporação, policiais da Ronda Cândido Mariano (Rocam) e da Tropa de Choque foram acionados para fazer a negociação. Unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), do Corpo de Bombeiros e dos demais órgãos de segurança do Estado estão se deslocando ao local.

De acordo com a PM, os integrantes do PCC estão pedindo a presença da imprensa, as chaves das celas para liberar os demais integrantes da organização criminosa e querem ir para o estado de Roraima. O trio foi identificado apenas como Paulo Henrique e os irmãos Fabrício e Rômulo.

Fuga em massa

Na segunda-feira (2), 39 detentos, sendo 7 deles considerados de alta periculosidade, conseguiram fugir do CDPM. O grupo conseguiu escapar por um túnel de 11 metros, cavado durante 4 dias, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

O titular da pasta, Pedro Florêncio, culpou a empresa responsável do serviço – a Umanizzare Gestão Prisional – pela fuga em massa. Segundo ele, a última revista feita pela empresa na penitenciária ocorreu na quarta-feira (27), há cinco dias, tempo suficiente para o grupo cavar um túnel. Eles usaram pedaços de ferro, uma palheta de ventilador, baldes e outros objetos para cavar o buraco.

A cela onde o túnel foi aberto é a 505, no pavilhão 5. Conforme o secretário Pedro Florêncio, tal cela ficou por muito tempo com uma cortina na frente dela, o que impedia qualquer um de perceber o que acontecia lá dentro. Segundo Florêncio, nesta cela eram mantidos 17 presos, mas os 39 fugitivos passaram a última noite lá e a contagem do número de detentos poderia ter identificado a mobilidade dos internos e evitado a fuga.

Resposta da empresa

Apontada por Pedro Florêncio, como a responsável pela fuga em massa de 39 presos CDPM, a empresa Umanizzare Gestão Prisional Privada afirmou que a gestão da casa penal é exclusiva do Estado e que segue as diretrizes estabelecidas pela pasta.

Em nota, divulgada na tarde desta terça-feira (3), a empresa criticou a superlotação do local. "A superlotação é uma realidade, entendemos a necessidade do Estado de abrigar esses presos, mas ultrapassar o limite de detentos em quase 3 vezes a capacidade da unidade, realmente aumenta potencialmente os riscos. Temos cumprido nosso papel, muitas vezes realizando serviços além dos contratados junto ao Estado do Amazonas", afirmou, no comunicado.

Na terça-feira, Pedro Florêncio disse que a última revista na unidade foi feita pela Umanizzare na quarta-feira (27), há cinco dias da fuga, o que, na avaliação dele, seria tempo suficiente para o grupo cavar um túnel.  A empresa nega ter realizado revista. “A revista mencionada na reportagem, ocorrida há 5 dias, foi realizada pelo diretor da unidade, representante da Seap”, afirma.

Os presos usaram pedaços de ferro, uma palheta de ventilador, baldes e outros objetos para cavar o buraco. Sobre isso, a Umanizzare disse que a utilização desses materiais nas celas é de “total ciência da Seap”.

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