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Iranduba

Investigações apontam 'pirataria' em confronto mortal entre policiais e traficantes

Corpo de colombiano envolvido na troca de tiros na Ilha da Paciência, em Iranduba, foi encontrado nesta quinta-feira (27), durante a reconstituição do tiroteio, ocorrido na terça-feira (25) 28/10/2016 às 15:43
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Joana Queiroz Manaus (AM)

O corpo de um homem encontrado no fim da manhã desta quinta-feira (27) no rio Solimões, na costa da Ilha da Paciência, foi identificado pela Polícia Civil no município de Iranduba como sendo do colombiano Luiz Carlos Trochesz, 44, que na terça-feira se envolveu numa troca de tiros com o policial civil Genelson Carlos Duarte Mota, 46, e com o sargento reformado da Polícia Militar Rubenício da Silva Alexandre, 59. A troca de tiros resultou na morte dos três.

Luiz Carlos Trochesz tinha 44 anos

De acordo com as investigações, o caso tem características de crime de “pirataria” e está sendo apurado pelo Departamento de Policiamento do Interior (DPI) da Polícia Civil, pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), pelo Departamento de Repreensão ao Crime Organizado (DRCO) e pela Delegacia de Iranduba.

Conforme o trabalho investigativo, Trochez e outro colombiano estavam vindo para Manaus transportando uma remessa de drogas, com maconha do tipo skank e cloridrato de cocaína, quando foram abordados pelos policiais que estavam armados e em uma lancha pertencente a Raimundo Nonato de Souza, 51, conhecido da polícia.

Segundo o que foi apurado, as mortes ocorreram dentro de uma embarcação atracada na ilha, localizada na comunidade Caldeirão, interior do município de Iranduba. Dentro da lancha onde o policial civil foi morto, a Polícia Militar encontrou 100 pacotes de  skank, totalizando aproximadamente 145 quilos. 

Em seu depoimento, Raimundo Nonato de Souza, que estava na lancha, disse que os policiais estariam em uma missão de abordar embarcações que transportam drogas. Ele contou que os policiais fizeram a abordagem e, em um descuido, os colombianos pegaram as armas e atiraram no investigador e no policial aposentado. Mesmo feridos, houve reação e os policiais atiraram contra os colombianos.

Raimundo Nonato disse ainda que conseguiu escapar porque se jogou no rio. Para a polícia, a história está mal contada e não descarta outra versão para o caso. “Ninguém vai fazer uma missão considerada altamente perigosa sozinho e pedir a ajuda de um policial militar da reserva”, disse um oficial da Polícia Militar que está acompanhando o caso e que preferiu manter a sua identificação em sigilo.

Um homem continua desaparecido

Genelson era um policial experiente e atualmente era o chefe de investigação da Delegacia de Iranduba. O delegado do município, Ricardo Homero, informou que o investigador havia ido ao local sozinho para verificar uma denúncia de tráfico de drogas e, após confronto, acabou morto junto com o policial militar.  “A informação é da Polícia Militar de que ele foi checar essa ocorrência. Projéteis de ponto 40 e 380 foram encontrados. Ali (local da morte), sabemos que é ponto de escoamento de entorpecente, pois há investigação em andamento ali”, ressaltou. Questionado se o policial estava envolvido com o transporte da droga, o delegado disse não acreditar. “Não creio. Eu sei da dedicação do nosso policial, ele era muito dedicado, aguerrido”.

 A metralhadora que ele portava foi encontrada dentro da sua mochila. A polícia está tentando entender a dinâmica do crime que, até o momento, resultou em três mortes e uma quarta pessoa está desaparecida.

Policiais, sob o comando do delegado Mariolino Brito, voltaram ao local onde ocorreram as mortes para fazer a reconstituição do crime e foi nesse momento que encontraram o corpo do colombiano. Mariolino Brito disse que o corpo do colombiano foi localizado praticamente no mesmo local onde ocorreu o confronto.

“Nós estávamos aqui [no local do confronto] fazendo a reconstituição do crime quando encontramos o corpo”, contou Mariolino Brito. Até o momento não foi possível informar a causa da morte do colombiano. A polícia está aguardando o resultado do exame de necropsia.

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