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Manaus Hoje
VEREDITO

Julgamento do 'caso Marcelaine' deve ser concluído na noite desta quinta (2), diz juiz

O primeiro dia de julgamento durou mais de 10 horas. O júri popular deve decidir os rumos dos acusados de tentar matar a estudante Denise Almeida, no estacionamento de uma academia, em novembro de 2014 01/06/2016 às 21:41 - Atualizado em 01/06/2016 às 21:55
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

O juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri, que preside o julgamento dos envolvidos no "caso Marcelaine", iniciado na manhã desta quarta-feira (1º), informou que o veredito deve ocorrer na noite desta quinta-feira (2). Composto por sete pessoas, o júri popular deve decidir os rumos dos acusados de tentar matar a estudante Denise Almeida no estacionamento de uma academia em novembro de 2014. Neste primeiro dia, julgamento durou mais de 10 horas.

“Encerramos hoje a instrução, com o interrogatório de todos os acusados, e amanhã vamos iniciar a sessão com os debates", disse Anthony. O juiz explicou que o Ministério Público terá 2 horas e 30 minutos. Em seguida, a defesa também terá 2 horas e meia, divididas entre os advogados.

Após isso, irá ocorrer a réplica pelo Ministério Público, de 2 horas, e por fim a tréplica da defesa, também por 2 horas. Ao fim dos debates, os jurados serão levados até uma sala secreta onde deverá ser decidido se os acusados são culpados ou inocentes do crime. Inicialmente, o juiz havia dito que o julgamento terminaria por volta de 12h, porém, ao final do primeiro dia de depoimentos, ele repensou o horário. “Até umas 20h da noite teremos um veredito”, limitou-se.

Marcelaine Schumann

“Jamais quis matá-la”, disse a acusada Marcelaine Santos Schumann durante o interrogatório no julgamento. “Queria que ela parasse de me perturbar. Ela me instigava, postava fotos”, revela. Ao contar sua história, Marcelaine lembrou que conheceu seu marido em 1997 e, após alguns meses, resolveram viver juntos em Manaus.

Segundo Marcelaine, entre 2006 e 2007, o marido começou a desenvolver alguns problemas em sua próstata, o que teria complicado seu relacionamento. Durante o depoimento, a ré se emociona ao falar da cirurgia mal sucedida que o marido tentou fazer. Ela diz que foi nesse período que o casal começou a viver uma crise. Após isso, houve a aproximação da estudante Denise Almeida.

Marcelaine afirma ter conhecido Charles “Mac Donald” em 2012, em uma agência bancária, e que o mesmo se tornou amigo. Ela teria confidenciado a ele sua vontade de “dar um susto” na suposta rival Denise, a fim de afastá-la de seu marido. “Me arrependo de ter permitido que ocorresse isso”, conclui a acusada.

Rafael Leal

O interrogatório do acusado Rafael Leal, suposto atirador do crime, começou por volta das 17h15. Rafael conta que morava na mesma rua que Charles “Mac Donald”, e afirma que estava inconsciente ao efetuar os disparos.

“A intenção não era matar”, disse o réu, contando que estava embriagado e entorpecido no momento do crime e que não sabia manusear a arma. Das cinco balas disponíveis, ele conta ter usado apenas três.

Cinco dias após o crime, Rafael relata ter viajado para o município de Anori, onde iria encontrar parte de seus familiares. Ele conta que se surpreendeu ao ser abordado com violência pelos policiais e investigadores no interior, que o conduziram de volta a Manaus.

Após as declarações, foi exibido o vídeo da câmara de circuito interno da academia onde Denise foi alvejada, e o acusado torna a dizer que não tinha a intenção de matá-la, pois segundos antes do crime, ela teria passado ao seu lado. “Se eu quisesse matar, eu teria matado, ela passou do meu lado”, disse o réu. Ele também afirmou que conseguiu a arma através de um contato com Karen Arevalo, que indicou uma pessoa que poderia lhe emprestar o revólver.

Charles Mac Donald

Iniciado por volta de 18h, o acusado Charles Mac Donald, acusado de ser o negociador do crime contra Denise, negou ter entrado em contato com Rafael para que atirasse na estudante. Ele contou que, na época, conhecia Marcelaine há alguns anos e a mesma lhe propôs ajudas financeiras.

Sobre as cartas interceptadas pela polícia, Charles se nega a responder. Por fim, ele afirma que foi constrangido e agredido para conceder entrevista para a imprensa no decorrer do processo.

Karen Arevalo e Edney Costa

Em seu depoimento, Karen nega o fornecimento da arma, e explica que apenas indicou o possível portador do revólver, o homem identificado como Itaituba. Karen também nega o recebimento da carta direcionada a ela, com o intuito de pressionar Marcelaine.

Último a ser interrogado, o vigilante Edney Costa, preso em dezembro de 2014, alega que não conhecia Marcelaine e que não fez a intermediação entre Charles e Karen. Ele contou ainda que foi torturado diversas vezes pela polícia.

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