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Julgamento do narcotraficante ‘João Branco’ é adiado para março de 2017

“João Branco” e outros cinco réus são acusados de matar o delegado Oscar Cardoso. Júri ficou para março 22/11/2016 às 05:00
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“João Branco” entrando na Polícia Federal em fevereiro deste ano (Foto: Evandro Seixas)
Joana Queiroz Manaus (AM)

O julgamento do traficante João Pinto Carioca, o “João Branco”; Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará, Messias Maia Sodré, Adriano Freire Correa, o “Maresia”, Diego Bruno de Souza Moldes e o empresário Mario Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, que deveria acontecer no dia 2 de dezembro deste ano, foi adiado para o próximo ano e está previsto para acontecer em  março, conforme informou ontem o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Anésio Pinheiro.

De acordo com o magistrado, o adiamento ocorreu por dois motivos. O primeiro foi devido a defensora pública que estava atuando no caso se arguiu suspeita, conforme ela, por foro íntimo e pediu o adiamento. Assim, um dos réus ficou sem defesa e outro defensor já foi solicitado.

Ainda de acordo com Pinheiro, no mesmo sentido, houve um pedido do secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, para que fosse adiado o julgamento. No pedido, Fontes alegou questões de logística dos presídios da comarca de Manaus, devido as festas de final de ano, e o movimento das cadeias envolvendo crime organizado.

A maioria dos réus está presa em penitenciárias federais e podem ou não estar presentes no julgamento. O magistrado disse que ainda não é possível confirmar se todos estarão presentes nesse dia.

“Existem duas situações. Uma é o direito do réu de estar presente no seu julgamento. Se ele tiver o interesse de vir, o Estado vai ter que trazê-lo, ou pode estar presente por vídeo conferência. Se ele não quiser, manda o advogado e o julgamento acontece sem a presença do réu”, explicou Pinheiro.

MPAM não ‘abre mão’

O promotor de justiça Ednaldo Medeiros disse que o Ministério Público Estadual, autor da denúncia, não vai abrir mão de ter todos os envolvidos presentes num mesmo julgamento, inclusive João Branco, que é um dos integrantes do alto comando da facção criminosa Família do Norte (FDN) e considerado de alta periculosidade.

O julgamento de “João Branco” e seu bando é um dos mais esperados devido à repercussão do assassinato do delegado Oscar Cardoso, em 2014, devidos o requinte de crueldade usado pelos criminosos para executar a vítima.

“João Branco” está preso no presídio federal de Catanduva, no Paraná, desde o início deste ano e deverá ser trazido para ser julgado pelo homicídio do delegado. O promotor ressaltou que, até o momento, João Branco nunca foi ouvido em juízo. O promotor não descarta que no dia do julgamento ele possa fazer revelações que possam mudar o rumo do processo.

“João Branco” fugiu desde o dia do crime e só foi preso no início do ano pela Polícia Federal.

Delegado pediu ‘misericórdia’

De acordo com denúncias oferecidas pelo Ministério Público, no dia do crime, o delegado Oscar Cardoso estava em uma banca de peixe conversando com vizinhos e conhecidos, quando chegou um Siena de cor branca de placa OAH-7732 de onde saíram João Branco, Marcos Pará, Messias e Marquinho Eletricista que surpreenderam a vítima. No momento, o delegado estava sentado de costas para a rua e tinha em seu colo o neto de um ano e seis meses de idade. Testemunhas afirmam, que mesmo atingida, a vítima suplicava misericórdia pela vida do neto dizendo: “Atira em mim, mas não atira no meu neto. Não mata o meu neto”, quando um dos integrantes do bando arrancou a criança dos braços do delegado e arremessou para frente de uma oficina.

“João Branco” entendia que um grupo de policiais presos na operação “Tribunal de Rua”, comandado pelo delegado Cardoso, teria sequestrado, extorquido e estuprado a mulher dele, Sheila Faustino Peres, em 2013.

Vingança motiva crime

Consta ainda na denúncia que os tiros disparados pelos denunciados fizeram a vítima cair de joelhos, depois tombou de costas, e ao tentar se levantar, novos tiros atingiram os seus braços e ele caiu novamente, momento em que um dos criminosos disse: ”Eu não avisei? Eu não te falei?”. Nesse momento, deu dois tiros no rosto da vítima. As investigações apontaram que o crime foi motivado por motivo torpe, por vingança.

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