Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
CRIME ORGANIZADO

Laptop apreendido pela Polícia Federal aponta que FDN possui 13 mil nomes

Aparelho foi apreendido em novembro de 2015 após a operação La Muralla. Delegado da Polícia Federal, Rafael Machado, contou que informações como endereço e local de "atuação" eram salvas no laptop da facção



rafael.jpg Delegado deu detalhes sobre organização criminosa (Foto: Divulgação)
12/08/2016 às 11:01

Os nomes de 13 mil pessoas que supostamente se cadastraram como membros da facção criminosa Família do Norte (FDN) e que foram encontrados na memória de um laptop apreendido pela Polícia Federal, em novembro do ano passado, foram colocados à disposição das autoridades policiais e podem ser compartilhadas e incluídas nos inquéritos. Essas pessoas poderão ser indiciadas por participação de organização criminosa, conforme informou ontem o delegado de Polícia Federal Rafael Machado.

De acordo com delegado, no cadastro constava o nome, a especialidade criminosa de cada um, o local onde morava e onde atuava, a sua colaboração com a “caixinha” da facção e o nome do criminoso que o apadrinhou para entrar na facção. De acordo com levantamento feito pela polícia, integrar a facção criminosa era uma questão de orgulho e que agora pode trazer transtornos e até prisões futuras. O delegado não revelou mais detalhes sobre a perícia do laptop.

O laptop foi apreendido por Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal logo depois da deflagração da operação La Muralla, em novembro no ano passado. Caldeira informou que a apreensão do laptop é uma sequência das investigações que resultaram na operação La Muralla, que prendeu quase 100 pessoas, entre elas os líderes da maior facção criminosa do Amazonas.

‘Inteligência’

O equipamento, que foi chamado pela polícia de “inteligência” da FDN, foi encontrado escondido no forro de uma cela do pavilhão 2 do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km da BR-174, durante uma revista na unidade. Ele estava muito bem guardado e era operado por um dos soldados do traficante José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”.

O soldado era responsável para fazer o cadastro dos membros da organização e também por controlar quem pagava ou não o dinheiro da caixinha. O delegado não revelou se foram encontradas outras informações no laptop da organização.

‘Associação’

De acordo com a polícia, para se associar à FDN era preciso ser indicado por um dos conselheiros ao comando da facção. A “seleção” dos criminosos começava assim que o detento ingressava no sistema prisional do Estado.

Os “xerifes” dos presídios, “nomeados” pelo comando da facção, eram os responsáveis por fazer uma entrevista com os presos que estavam entrando no sistema, especialmente os que respondiam por tráfico. Nessa entrevista, os presos eram obrigados a revelar todos detalhes, como para quem trabalhavam, fornecedores, distribuidores, destinatários finais e rotas, e obrigados a se filiar e seguir o estatuto da FDN, fornecendo o entorpecente exclusivamente para a facção, sob pena de serem “sumariamente executados”, revela o relatório da PF.

Assim a FDN conseguiu chegar a 13 mil cadastrados, eliminando os rivais.

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