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Manaus Hoje
TRANSFERÊNCIA

Líder da FDN, Gelson Carnaúba está próximo de deixar presídio federal

Por falta de documentos, o traficante deve deixar Catanduvas (PR) e seguir para o Rio Grande do Norte 25/10/2016 às 21:01
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Gelson Carnaúba é considerado como um preso de alta periculosidade, por isso o receio da transferência. Foto: Antônio Menezes - 08/04/2011
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Justiça Federal do Paraná determinou encaminhamento imediato do narcotraficante amazonense Gelson Lima Carnaúba para o presídio da comarca de Nísia Floresta, no Rio Grande Norte. Conforme a determinação, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) tem 30 dias, a partir do dia 20, para fazer a transferência de Carnaúba, que está preso há aproximadamente um ano na penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná.

De acordo com o despacho do juiz Nivaldo Brunoni, a decisão de transferir Carnaúba  deu-se pelo fato do juizado da Vara de Execuções Penais (VEP) não ter enviado a documentação de execuções penais à Justiça Federal do Paraná, onde o preso se encontra, mesmo diante de muitas solicitações. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão para que Carnaúba, por conta de sua alta periculosidade, permaneça em Catanduvas, pelo menos par mais um ano. O pedido de prorrogação da permanência dele no presídio federal já foi encaminhado. 

A Justiça da comarca de Nísia Floresta já foi acionada para encaminhar, em caráter de urgência, os documentos da execução penal de Carnaúba para o Depen para que a situação seja revogada. O prazo é de apenas dez dias.  Enquanto isso, presos do sistema penitenciário do Amazonas, a  maioria do regime Fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), querem o retorno dele para Manaus e até ameaçam “virar” a cadeia caso Carnaúba não retorne até o dia 28 do próximo mês. Eles ameaçam fazer rebeliões, fugas, além d e  matar membros da facção  PCC e autoridades.

Carnaúba é considerado um dos criminosos do sistema penitenciário de alta periculosidade. Ele foi condenado a mais de 100 anos de prisão, acusado de  ser um dos mentores da maior chacina do Sistema Prisional do Amazonas, que aconteceu no dia 25 de maio de 2002, quando 14 pessoas foram executadas.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa “Família do Norte” (FDN), Gelson  Carnaúba conseguiu fugir da penitenciária Anísio Jobim  justo, com cinco “soldados” seus, por um buraco cavado do setor do  regime fechado para o semi aberto, de onde pularam o muro e foram resgatados por comparsas que estavam em veículos não identificados.  

Em janeiro de 2015 Carnaúba, também conhecido como  “Cabeça”, e Francinaldo dos Santos Silva, conhecido o “Cinta larga”, foram presos no aeroporto internacional de Natal, pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte e do Amazonas. Carnaúba estava sendo procurado desde julho de 2014, quando fugiu Compaj. Em novembro de 2014, Carnaúba voltou a ser preso pela Polícia Federal na operação La Muralla. 

20 perigosos em presídios federais

Vinte criminosos do Amazonas considerados de alta periculosidade estão presos em presídios de segurança máxima nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e em Rondônia de acordo com o Depen que, por medidas de segurança, não revela os nomes dos internos. Eles foram colocados nesse sistema prisional por colocar em risco a estabilidade dos presídios e por apresentar risco à sociedade.

Prorrogação nas 'federais' foi pedida 

Carnaúba e outras lideranças da FDN presas na operação La Muralla, da Polícia Federal, que estão em presídios federais fora do Amazonas, deveriam retornar ao estado até o fim deste ano.  Os presos, no entanto, podem não  retornar, pois foi pedida a prorrogação da estada de todo nos  presídios federais, como foi estabelecido, na época da prisão, pela 2ª Vara Criminal da Justiça Federal.

O que  preocupa as autoridades amazonenses de segurança é se as documentações de todos ele foram enviadas para o Depen, caso  contrário a Justiça tem por obrigação devolvê-los. Nesta terça-feira (25), o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Luis Carlos Valois, não foi localizado pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado do  Amazonas (TJ-AM), para falar sobre a situação.

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