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Manaus Hoje
carta à mãe

Menina contou na carta que foi estuprada pelo pai na frente do irmão de dois anos

Abusos foram denunciados pela menina em uma carta à sua mãe, que não sabia dos crimes cometidos pelo marido enquanto ela saía para trabalhar aos sábados 22/06/2016 às 22:11 - Atualizado em 24/06/2016 às 21:53
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Pai foi preso logo após o caso chegar ao conhecimento da polícia
Fabio Oliveira Manaus (AM)

“Mãe me perdoa”, escreveu uma menina de 12 anos, vítima de estupro praticado pelo próprio pai, um mototaxista de 34 anos. A criança não tinha coragem de contar a verdade cara a cara para sua genitora e resolveu escrever uma carta a punho. Em uma única folha, ela revelou como iniciou os abusos e o motivo pelo qual não contou a verdade.

A Crítica teve acesso ao conteúdo escrito pela adolescente e, de forma chocante, ela inicia: “Mãe me perdoa, faz um tempo que isso está acontecendo”. A carta foi lida pela própria mãe, que não aguentou e logo acionou a 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). O pai da jovem foi preso em casa, na noite de terça-feira (21), no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste da capital.

Segundo consta no depoimento da adolescente, os crimes tiveram início desde o ano passado e, o primeiro abuso, aconteceu dentro do próprio quarto da jovem. Ela contou em depoimento que estava dormindo em sua cama, quando ouviu o pai entrando em seu quarto. Logo ela fingiu que estava dormindo, mas o pai usou o argumento de que iria lhe ensinar golpes de jiu-jítsu.

De forma clara, a jovem relatou que o pai costumava tirar o short dela, abaixar a calcinha e praticar sexo oral. Às vezes, ele introduzia um dos dedos na vagina e também o pênis. Os abusos, segundo a jovem, aconteciam sempre aos sábados, quando o pai era o responsável por cuidar dela enquanto a mãe estava no trabalho. Os crimes eram praticados dentro do quarto da vítima.

Na frente dos irmãos

Ainda segundo o depoimento da adolescente, na noite de terça-feira (21), o pai praticou o ato sexual na frente do filho dele que é irmão da jovem, de apenas 2 anos e 9 meses de idade. Ela relatou que o irmão chorou bastante quando viu a cena.

Em seguida, ela aguardou o pai sair do quarto e resolveu escrever a carta contando tudo o que sofria quando ela não estava por perto.

‘Revelação’

Em um trecho, ela cita que a mãe tinha razão em relação a um sonho em que via sua filha sendo abusada sexualmente. “O sonho que a senhora teve é verdade. O papai é esse homem”.

Segundo a menina, as notícias publicadas nos jornais da cidade traziam mais dor para ela, conforme relata no trecho: “Eu não queria mais escutar nos jornais coisas de abuso porque me doía muito” e, em seguida, desabafa: “Eu pedi a Deus coragem para entregar essa (carta), por isso às vezes eu ficava com raiva de repente. Nem ele nem a senhora viram eu chorando, mas eu choro muito”, revela outro trecho da carta.

Vítima se culpa por não ter contado os abusos

Além de ser vítima desse crime, a menina ainda se culpava por não ter contado os abusos praticados pelo pai à mãe. Na carta, ela pede perdão e, essa atitude, segundo a psicóloga Amanda Dantas, é consequência dos constantes abusos sofridos.

Segundo a psicóloga, a adolescente pode ter se culpado pelo fato de não ter forças de revelar o crime. “Se ela escreveu essa carta é porque ela suportou até onde conseguiu”, disse.

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