Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
carta à mãe

Menina contou na carta que foi estuprada pelo pai na frente do irmão de dois anos

Abusos foram denunciados pela menina em uma carta à sua mãe, que não sabia dos crimes cometidos pelo marido enquanto ela saía para trabalhar aos sábados



gfhghfgh.JPG Pai foi preso logo após o caso chegar ao conhecimento da polícia
22/06/2016 às 22:11

“Mãe me perdoa”, escreveu uma menina de 12 anos, vítima de estupro praticado pelo próprio pai, um mototaxista de 34 anos. A criança não tinha coragem de contar a verdade cara a cara para sua genitora e resolveu escrever uma carta a punho. Em uma única folha, ela revelou como iniciou os abusos e o motivo pelo qual não contou a verdade.

A Crítica teve acesso ao conteúdo escrito pela adolescente e, de forma chocante, ela inicia: “Mãe me perdoa, faz um tempo que isso está acontecendo”. A carta foi lida pela própria mãe, que não aguentou e logo acionou a 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). O pai da jovem foi preso em casa, na noite de terça-feira (21), no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste da capital.



Segundo consta no depoimento da adolescente, os crimes tiveram início desde o ano passado e, o primeiro abuso, aconteceu dentro do próprio quarto da jovem. Ela contou em depoimento que estava dormindo em sua cama, quando ouviu o pai entrando em seu quarto. Logo ela fingiu que estava dormindo, mas o pai usou o argumento de que iria lhe ensinar golpes de jiu-jítsu.

De forma clara, a jovem relatou que o pai costumava tirar o short dela, abaixar a calcinha e praticar sexo oral. Às vezes, ele introduzia um dos dedos na vagina e também o pênis. Os abusos, segundo a jovem, aconteciam sempre aos sábados, quando o pai era o responsável por cuidar dela enquanto a mãe estava no trabalho. Os crimes eram praticados dentro do quarto da vítima.

Na frente dos irmãos

Ainda segundo o depoimento da adolescente, na noite de terça-feira (21), o pai praticou o ato sexual na frente do filho dele que é irmão da jovem, de apenas 2 anos e 9 meses de idade. Ela relatou que o irmão chorou bastante quando viu a cena.

Em seguida, ela aguardou o pai sair do quarto e resolveu escrever a carta contando tudo o que sofria quando ela não estava por perto.

‘Revelação’

Em um trecho, ela cita que a mãe tinha razão em relação a um sonho em que via sua filha sendo abusada sexualmente. “O sonho que a senhora teve é verdade. O papai é esse homem”.

Segundo a menina, as notícias publicadas nos jornais da cidade traziam mais dor para ela, conforme relata no trecho: “Eu não queria mais escutar nos jornais coisas de abuso porque me doía muito” e, em seguida, desabafa: “Eu pedi a Deus coragem para entregar essa (carta), por isso às vezes eu ficava com raiva de repente. Nem ele nem a senhora viram eu chorando, mas eu choro muito”, revela outro trecho da carta.

Vítima se culpa por não ter contado os abusos

Além de ser vítima desse crime, a menina ainda se culpava por não ter contado os abusos praticados pelo pai à mãe. Na carta, ela pede perdão e, essa atitude, segundo a psicóloga Amanda Dantas, é consequência dos constantes abusos sofridos.

Segundo a psicóloga, a adolescente pode ter se culpado pelo fato de não ter forças de revelar o crime. “Se ela escreveu essa carta é porque ela suportou até onde conseguiu”, disse.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.