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Manaus Hoje
REZANDO PARA SAIR VIVO

Moradores de bairro na Zona Leste de Manaus sofrem com frequentes assaltos

Os crimes ocorrem principalmente nas primeiras horas do dia, quando as vítimas estão saindo de casa, ou ao final da noite, quando as mesmas estão retornando 04/02/2017 às 05:00
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Mulheres são o alvo preferencial dos ataques dos galerosos, que não perdoam quem é obrigado a passa r pela rua Politeia. Foto: Jander Robson
Dani Brito Manaus

Se você for na rua Politeia, no bairro São José 1, zona Leste da cidade, não terá dificuldades em encontrar com uma pessoa que já foi assaltada ou teve a casa furtada  naquela via. Diariamente, moradores das proximidades do local passam pela rua para poder ir até a avenida principal do bairro, ou até mesmo para ir para o Terminal 5 (T5) e pegar coletivos para ir ao trabalho, faculdade ou escola.

Os crimes ocorrem principalmente nas primeiras horas do dia, quando as vítimas estão saindo de casa, ou ao final da noite, quando as mesmas estão retornando. As principais vítimas dos assaltos são as mulheres. No mês passado, a auxiliar administrativa Miriane Maia de Oliveira, 33, foi assaltada pela quinta vez. Ela conta que mesmo tentando driblar os bandidos, escondendo o celular junto ao corpo, fica impossível não ser abordada.

“Chego da faculdade muito tarde e mesmo que ande rápido na rua, aqui tem pouca iluminação e conta com pouco policiamento. Os bandidos se sentem à vontade para agir. Na última vez que fui assaltada tive minha bolsa roubada com todos os meus documentos por dois homens que estavam um uma moto e armados com faca”, lembrou a vítima, que vive amedrontada.

Já a cobradora Eliane Andrade, 37, disse que no final do ano passado foi abordada por um homem armado também com faca, quando tentava atravessar na faixa de pedestre que fica próximo ao T5.  “A gente já sai de casa rezando. É um eterno medo, já que todos os dias temos que passar por aqui para ir para o trabalho”, revelou a cobradora, que além de já ter sido assaltada, presenciou vários roubos.

Bandidos no meu quarto
Outra vítima da violência que toma conta do local é o comerciante Carlos César Souza, 49. Ele mora no bairro há 18 anos e de uns tempos para cá têm vivido refém dos bandidos que não se intimidam.  “Eu morava em cima do meu comércio, mas uma noite acordei com quatro bandidos dentro do meu quarto, todos encapuzados e armados. Foram momentos de terror que eu e minha esposa vivemos”, relatou. Na época, o assalto trouxe além do trauma da violência, uma prjuízo de R$ 15 mil. “Desde então eu construi um quartinho aqui mesmo dentro do meu mercadinho, pois aqui penso que possa ter mais segurança devido ao fato de ser todo na laje e com apenas uma entrada, que já reforcei com cadeados e portões extra”, destacou.


Parentes e filhos envolvidos?
A reportagem entrou em contato com a 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e foi informada que as guarnições estão cientes dos constantes assaltos. Contudo, de acordo com o capitão Lúcio Roberto, a polícia tenta fazer o trabalho, porém, muitas vezes esbarra na dificuldade em chegar aos autores.  “O problema é que muitos dos próprios moradores têm filhos ou parentes envolvidos diretamente com o tráfico de drogas naquele local. E muitas das vezes são estes próprios moradores que cometem os roubos e furtos nas adjacências”.

Na madrugada dessa sexta-feira (3), por volta das 2h30, dois bandidos tentaram entrar em um estabelecimento comercial na rua Politeia para tentar roubar. Durante a ação, eles cortaram os cadeados do estabelecimento e segundo a funcionária Márcia Batista de Oliveira, 20, só não entraram no local porque na hora algumas pessoas que estavam bebendo em um bar próximo ao local viram e começaram a gritar.

“Como já fomos furtados em outra ocasião, reforçamos a segurança com mais cadeados e travas. Desta vez eles conseguiram quebrar três cadeados grandes, mas não conseguiram quebrar o que fica em cima do portão. A nossa sorte foi que esses rapazes viram e começaram a gritar e com isso eles foram embora. Mas o trauma sempre ficar”, ressaltou a funcionária.

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