Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
REINTEGRAÇÃO

Moradores do Monte Horebe se recusam a usar caminhões de mudança

Reintegração de posse da área está marcada para acontecer na segunda-feira (2). Representantes da SSP e da Defensoria estiveram reunidos com moradores na manhã desta sábado (29)



show_orlando_29_E3CB2F9C-CE4F-4A6D-8F51-980A08B2BEA9.jpeg Foto: Arquivo AC
29/02/2020 às 12:42

Moradores da ocupação Monte Horebe, situada na Zona Norte de Manaus, não aceitaram realizar a mudança para o abrigo oferecido pelo governo do Amazonas nesse sábado (29). A reintegração de posse da área está marcada para acontecer na segunda-feira (2)e deve atingir mais de mil famílias que moram desde 2015 na invasão.

Durante a reunião que aconteceu na manhã deste sábado, representantes da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) estiveram reunidos com cerca de 150 moradores, que foram representandos por cinco pastores que se auto intilulam líderes do movimento de moradia. 



Na ocasião, o governo estadual colocou à disposição caminhões para os moradores retirarem os pertences domésticos. Entretanto, os moradores não manifestaram interesse em utilizar os veículos para remoção dos móveis e, por isso, os caminhões não foram deslocados para a área, de acordo com a SSP-AM.

A reintegração marcada para acontecer às 6h de segunda-feira (2) deve ocorrer com auxílio das forças de segurança do Estado, mas, também, de órgãos públicos de assistência social. 

Um cadastro para moradores que desejam morar em outra localidade, oferecido pelo governo do AM, ainda está disponível para interessados. 

De acordo com o governo do AM, os órgãos estão disponíveis para  "dar toda a assistência social às famílias que de fato precisam de moradia, para que esse seja o diferencial do processo de reintegração do Monte Horebe", conclui a nota.

Reintegração articulada

Na sexta-feira (28), um encontro no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), definiu o processo de reintegração. De acordo com o vice-governador Carlos Almeida, a operação estava sendo estudada desde o ano passado, devido ao crescente índice da criminalidade naquela região, que já vinha sendo combatido por forças policiais.

"Iremos iniciar a operação na segunda-feira. Não haverá ideia de regularização de terra. Nós vamos fazer, juntamente com a defensoria pública, uma ação em que haverá a separação do joio e do trigo; quem for bandido, será tratado como tal. As famílias serão amparadas da melhor forma; isso está em comum acordo com a defensoria", disse o vice-governador do Amazonas.

Carlos Almeida atribuiu, ainda, o surgimento das invasões à ausência das Políticas Públicas de Moradia na cidade e no interior do Estado.

"A falta desse planejamento das políticas públicas de moradia é que tem eclodido e feito com que essas invasões surgissem", acrescentou.

A secretaria da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Caroline Braz, afirmou durante a a reunião no CICC que as famílias podem contar com o governo para assistência. "Não vamos fazer como historicamente foi feito pelos Governo passados: tratar as pessoas que precisam de um lugar para morar como se elas fossem problema, quando de fato não são. As que precisam de assistência, essas terão a devida a atenção do Estado”, disse.

Histórico

O Monte Horebe surgiu da reintegração da ocupação irregular Cidade das Luzes, em 2015, que expulsou as famílias do local sem qualquer assistência social. Como destacou o vice-governador e secretário-chefe da Casa Civil, Carlos Almeida, que coordenou a reunião do GGI, o Estado atenderá as famílias em extrema vulnerabilidade social, que hoje vivem sem condições sanitárias mínimas, e que são reféns do avanço do tráfico que se instalou no Monte Horebe.

Repórter

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