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Manaus Hoje
SITUAÇÃO CRÍTICA

Moradores dos bairros da Zona Sul de Manaus relatam rotina de violência e medo

Residentes dos bairros Raiz, Morro da Liberdade, Crespo, Educandos, Betânia, Colônia Oliveira Machado e Cachoeirinha estão vivendo um verdadeiro cenário de guerra 06/05/2017 às 11:15 - Atualizado em 06/05/2017 às 11:18
Show morro da liberdade
A geografia do Morro da Liberdade dificulta a ação da polícia e ajuda os bandidos a se esconderem. Enquanto isso o povo que nada tem a ver com a guerra sofre. Foto: Jander Róbson
Dani Brito Manaus (AM)

Após a morte de 56 pessoas somente este ano na zona Sul da capital, moradores dos bairros Raiz, Morro da Liberdade, Crespo, Educandos, Betânia, Colônia Oliveira Machado e Cachoeirinha estão vivendo um verdadeiro cenário de guerra. Ontem, logo após a polícia deixar a região depois de realizar a operação Pacificadora, a reportagem percorreu as ruas dos bairros e ouviu relatos de medo, pânico e incertezas da população.

Segundo uma aposentada e moradora no bairro Morro da Liberdade, de 70 anos, desde que mudou-se para o local, há 45 anos, jamais tinha visto uma situação tão crítica. “Antigamente a gente podia ficar na calçada, conversando com os vizinhos e vendo nossas crianças brincar. Hoje em dia estamos presos dentro de casa e convivendo com essa situação de guerra. O tráfico sempre existiu por aqui, mas antes eles respeitavam os moradores”.

A situação é confirmada por um morador da Betânia. “Moro aqui há 17 anos e nunca vi isso. Estamos vivendo amedrontados. Se um carro faz barulho mais forte com a descarga, minha esposa já se treme toda achando que pode ser o início de um tiroteio”, ressaltou o mecânico de 48 anos.

Para um policial militar que atua naquela área e que preferiu não ter a identidade revelada, essa guerra só está começando. “Depois que os chefões foram presos os traficantes menores começaram a querer tomar conta daquela área, que todos sabemos que sempre foi ligada ao tráfico. Agora eles brigam entre si, sem precisar responder a um líder. Na minha opinião, com a condenação do Parazinho, que era o maior traficante da área, esse clima de guerra tende a piorar”, disse o policial.

Execuções

A reportagem conversou ontem com a família de Renan de Oliveira, 30, que foi executado na noite da última quarta-feira (3), em frente à casa onde morava, no bairro Morro da Liberdade.

A morte dele chamou a atenção pela quantidade de tiros, mais de 20, e pelo fato da vítima ter ajoelhado e pedido perdão a Deus pelos pecados na hora do crime. “Com a ‘urbanização’ ficou mais fácil para os bandidos chegarem aqui, executarem e depois fugiram, pois as vias dão acesso a quase todos os locais. Antes a gente sabia quem era daqui e quem eram os traficantes. Hoje, os matadores chegam de moto ou carro e facilmente conseguem executar uma pessoa e fugir”, disse um dos familiares de Renan.

Moradores do bairro disseram que Renan é mais uma vítima da disputa do tráfico.

Toque de recolher

No dia 11 de abril o Manaus Hoje mostrou com exclusividade que traficantes do Morro deram ordem para que a população se recolha em casa após as 20 horas, justamente quando o pipoco entre os rivais começa na região.

Não fique de costas

 O clima está tão pesado nas ruas da zona Sul, que ontem uma moradora aconselhou a equipe de reportagem a não dar as costas para a rua. “Você podem acabar levando um tiro sem saber de onde vem a bala”.

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