Sábado, 05 de Dezembro de 2020
INVESTIGAÇÃO

Motoristas de aplicativo suspeitos de matar adolescente são presos

De acordo com investigação da polícia, o trio matou e ocultou o cadáver do adolescente Pedro Adley, de 17 anos. Motoristas acusaram Adley de roubo. Polícia nega que o adolescente tenha cometido ato criminoso



Adolescente-sequestrado-Pedro-Adley_45BEC9DC-7712-48A6-A316-A74C565DF93D.jpg Foto: Divulgação
21/10/2020 às 17:09

Três motoristas de aplicativos foram presos na manhã desta quarta-feira (21), durante a operação "Nemêsis", deflagrada pela equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na Zona Norte de Manaus. O engenheiro João Rodrigues Maciel, 33, conhecido como "João dos Aplicativos"; Cleyton Augusto dos Santos, 29, e Kameron Braga Pereira, 21, estão envolvidos no assassinato e ocultação de cadáver do adolescente Pedro Adley Ferreira Lima, 17, segundo as investigações da Especializada.

Pedro Adley foi acusado de praticar roubo a um motorista de aplicativos e, em seguida, sequestrado por pelo menos, sete homens da categoria. O fato aconteceu no dia 21 de junho deste, na comunidade Nova Vitória, no bairro Gilberto Mestrinho, na Zona Leste de Manaus.



De acordo com o delegado Charles Araújo, titular da DEHS, a irmã da vítima registrou o Boletim de Ocorrência (BO) após vizinhos relatarem que Pedro Adley foi colocado à força dentro de um carro Onix, de cor prata. Com informações da placa do veículo, a equipe de investigação localizou como sendo um transporte por aplicativos, que estava locado em nome de Patrick, o primeiro a ser preso.

"As investigações apontam que o adolescente não praticou o crime, no entanto, ele foi acusado por um grupo de motoristas de aplicativos para que apontasse o autor dos roubos. Mesmo negando não saber, o adolescente foi morto sem qualquer participação no ato criminoso", explicou.

A autoridade policial informou que foram quatro meses de Investigação. Após a prisão de Patrick e outros três homens, a equipe da DEHS chegou até Cleyton Augustinho, João e Kameron. O quarteto cooperou com o inquérito policial e apontou os demais como articuladores do crime.

O corpo do adolescente foi encontrado na manhã desta quarta-feira (21), em estado avançado de decomposição no quilômetro 28 da BR-174, que liga Manaus ao município de Presidente Figueiredo. Inicialmente, os autores haviam ocultado o cadáver em outro ramal da rodovia federal.

O trabalho para remoção do corpo contou auxílio da cadeia Fiona, da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães), da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

Cleyton Augustinho, João e Kameron foram presos temporariamente, mas a autoridade policial informou que iria solicitar a prisão preventiva, já que assumiram o crime. Em depoimento, eles disseram que Pedro Adley foi morto a tiros, de acordo com a polícia.

O trio foi indiciado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Eles serão levados à Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde passarão por audiência de custódia e ficarão à disposição da Justiça. Os outros quatro envolvidos irão responder pelo mesmo crime em liberdade por cooperar com a polícia.

Na área externa da delegacia para onde foram levados os suspeitos, alguns motoristas de transportes por aplicativos hostilizaram jornalistas que estavam no local.

Defesa

A advogada Bárbara Bilby, que defende João Rodrigues, disse que não teve conhecimento dos autos do processo. Ela informou que irá solicitar a revogação da prisão.

João Rodrigues era presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativos, mas renunciou ao cargo para se candidatar a vereador em Manaus.

 


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