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Manaus Hoje
CRIME

Mototaxista se torna a quarta vítima da onda de latrocínios em Manaus esta semana

Por volta das 20h, Gilberto Oliveira Xavier, 48, foi abordado por dois criminosos, que exigiram sua motocicleta, em uma esquina no Parque das Nações, Zona Norte. Ele resistiu à ação e levou um tiro no abdômen 07/04/2016 às 23:01 - Atualizado em 07/04/2016 às 23:25
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O crime causou uma comoção entre mototaxistas, alunos da universidade Nilton Lins e moradores da área - todos vítimas da constante violência (Foto: Antônio Lima)
Lucas Jardim Manaus (AM)

O mototaxista Gilberto de Oliveira Xavier, 48, foi morto com tiro no abdômen ao reagir a um roubo na noite desta quinta-feira (7), no cruzamento das avenidas Inglaterra com Canadá, bairro Parque das Nações, Zona Norte de Manaus.

Dois homens, que estavam a pé, abordaram o trabalhador por volta das 20h e queriam que ele entregasse sua motocicleta, uma Honda Titan preta de placas JXI-4242.

Segundo relatos de testemunhas, Gilberto resistiu em entregá-la e lutou com os criminosos, até que um deles sacou uma arma de fogo e disparou duas vezes contra ele. 

A motocicleta de Gilberto, abandonada após o crime (Foto: Antônio Lima)

O policial militar Luiz Pereira, da 12ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), declarou que um dos disparos atingiu o mototaxista no abdômen e o outro atingiu o tanque da motocicleta. Por conta disso, apesar dos meliantes terem conseguido efetuar seu roubo, eles tiveram que abandoná-la a meros 50 metros do local do crime.

“[Depois do ocorrido], eles foram para dentro das dependências da Universidade Nilton Lins, se esconderam lá e saíram na [avenida] principal, onde fizeram um taxista de refém [para sair do local]”, disse Luiz, informando que o taxista já havia sido abandonado no bairro Novo Israel, sem ferimentos.

Família de luto

Avisados por colegas de profissão de Gilberto, parentes da vítima se deslocaram para o local e assistiram impotentes à remoção do corpo do mototaxista pelo Instituto Médico Legal (IML).

Dentre eles, seu filho, Jonathan Rodrigues, 29, chorava inconsolável e falava do pai. “Ele não mexia com nada errado. Ele era um cara honesto, trabalhador mesmo, quem conhece ele sabe. Chegava todo dia no horário certo. De noite, ele tava em casa”, lembrou o rapaz, que morava com o pai na Colônia Santo Antônio.

“Um tiro desse [...]. É o que merece o cidadão que trabalha, infelizmente. Estamos impactados, entristecidos, estremecidos com tanta violência”, declarou a tia de Jonathan, Ângela Rodrigues, que também esteve no local.

Tragédia foi sentida pela categoria (Foto: Antônio Lima)

Sem socorro

Jonathan disse ainda que, quando ele chegou ao Parque das Nações, seu pai ainda estava vivo. "Fui atrás de socorro. Eu liguei para o [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] Samu. Eu fui na Unimed, onde me negaram socorro. Disseram que não podiam [socorrer], mas tinha ambulância lá", contou o filho da vítima.

Sobre o ocorrido, a Unimed declarou que a ambulância que estava no Hospital Nilton Lins, a metros do local do crime, era destinada ao transporte de uma criança que precisou ser levada à unidade hospitalar para a realização de uma tomografia.

A cooperativa também informou que não realiza os serviços desempenhados pelo Samu, mantendo ambulâncias ativas pela parte da noite, prioritariamente, para remoção e transporte de pacientes entre as suas unidades de saúde.

Rua Japão à noite (Foto: Antônio Lima)

Abandono e violência

Segundo os residentes da área, a violência virou parte da vida de quem mora no Parque das Nações. Ruas desertas, sem iluminação pública, e tomadas por matagais, criam um ambiente perfeito para a ação da criminalidade.

“Eu moro na rua Japão e estudo na Nilton Lins. Apesar do portão da universidade ficar na rua da minha casa, eu não posso ir andando para lá por conta dos bandidos. Eu tenho que esperar meu esposo, que também estuda lá, sair da aula dele para irmos juntos de carro, ou esperar alguém sair de casa para me buscar”, disse a estudante de nutrição Lana Mara, 47, agradecendo à sorte por nunca ter sido abordada.

O mesmo não aconteceu com Maria Consuelo Freitas, 53, que foi vítima de um roubo na noite desta quarta-feira (6). “Levaram minha bolsa, meu celular, o salário que eu tinha acabado de receber, os kits de beleza que eu vendo... Eu fiquei sem nada e ainda me deram um tapa no rosto. [...] Aqui, [os bandidos] são acostumados a fazer isso porque fica por isso mesmo, então nós queremos justiça”, concluiu Maria.

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