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Manaus Hoje
INCLUSão no presídio

Detentos do Puraquequara oficializam o matrimônio com tudo que têm direito

Para as noivas, o casamento, mesmo sendo dentro de um presídio, é a realização de um sonho com direito a friozinho na barriga, ansiedade e todo rito que requer um casamento 03/04/2016 às 17:16 - Atualizado em 03/04/2016 às 17:23
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Maria José aguarda o terceiro filho e há 16 anos tem uma relação estável com o marido, atualmente preso na UPP (Foto: Silas Laurentino)
Joana Queiroz Manaus (AM)

O cenário não importa, o que elas querem é realizar o sonho de se casar e, principalmente, vestidas de noivas, com direito a tapete vermelho, bolo e lua de mel. A consultora de cosméticos Glaucia dos Santos, 25, e a dona de casa Maria José Parente, 35, estão ansiosas para que chegue logo a próxima quinta-feira (7), quando 25 casais vão ter a oportunidade de oficializarem suas uniões no casamento coletivo que vai acontecer na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), no bairro Puraquequara, Zona Leste.

Para as noivas, o casamento, mesmo sendo dentro de um presídio, é a realização de um sonho com direito a friozinho na barriga, ansiedade e todo rito que requer um casamento.

Glaucia disse que está ansiosa e contando os dias para finalmente se tornar oficialmente a esposa de Jhone Marques. Para ela, não importa onde vai acontecer o casamento. “Eu estou muito feliz e ele também. Estou ansiosa para me tornar de fato e de verdade a mulher dele”, disse.

De acordo com o secretário da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) Pedro Florêncio, o casamento vai acontecer na quadra esportiva do presídio e as noivas terão direito ao tradicional vestido  branco, arranjo no cabelo, desde que não seja nenhuma peça de metal, buquê e até dia da noiva. Já os noivos estarão vestidos de terno e gravata, com direito a cravo na lapela.

Os casais terão direito a lua de mel. As mulheres vão poder passar a noite de quinta para sexta-feira junto com  os seus maridos. As celas que são usadas como motel serão preparadas para receber os casais e, caso não comportem todos no mesmo presídio, serão levados para outras unidades.

A Umanizzare, empresa que administra os presídios, está providenciando a ornamentação das camas com pétalas de flores e vai colocar uma cesta de café da manhã para cada casal.

De acordo com Pedro Florêncio, o clima entre os noivos também é de ansiedade, querem saber como vai ser a cerimônia, os detalhes e há a preocupação se tudo vai dar certo e se não vai ter nenhum impedimento. Para eles é um momento único.

Ainda de acordo com Pedro Florêncio, importância maior para da oficialização do casamento para pessoas que estão segregadas é dar cidadania e dignidade para eles, assim como ajuda na reintegração deles. A legalização de uma união traz mais segurança para quem está encarcerado.

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