Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
ESQUEMA

Operação prende três por suspeita de desvio de medicamentos na FCecon

Desvios estão estimados em R$ 1,1 milhão e englobam itens do almoxarifado e remédios destinados ao tratamento de pessoas com câncer



show_show_95_2D1DB094-5D32-4279-B542-F44D3B524FB9.jpg Foto: Divulgação
04/06/2020 às 17:16

A equipe de investigação da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), da Polícia Civil do Amazonas, deflagrou nesta quinta-feira (4) a primeira fase de operação que investiga desvios de medicamentos e outros materiais hospitalares da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon). Dois servidores da unidade e uma ex-funcionária foram presos temporariamente, suspeitos de participação no esquema criminoso.

O resultado da ação foi apresentado durante coletiva de imprensa, realizada às 14h30 desta quinta, no prédio da Delegacia Geral, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus.



Na ocasião, a delegada-geral da PC, Emília Ferraz, destacou a importância da operação que culminou na prisão do trio e parabenizou as equipes que trabalharam de maneira exitosa.

“A equipe da DERFD está parabéns pelo trabalho que desarticulou esse esquema criminoso que desviava medicamentos da fundação. É inaceitável esse tipo de conduta que atinge diretamente pessoas que estão no tratamento de uma doença tão agressiva quanto é o câncer”, salientou Emília.

O titular da DERFD informou que as investigações começaram no mês passado, com o acionamento da direção do hospital, que, por meio da implementação de novos sistemas de controle, detectou baixa inexplicada no estoque de medicamentos. Os desvios estão estimados em R$ 1,1 milhão e englobam itens do almoxarifado e remédios destinados ao tratamento de pessoas com câncer.

“Ao longo das investigações, descobrimos que no dia 13 de maio deste ano, uma ex-funcionária foi vista carregando, em um carro particular, caixas com soro fisiológico. Parada na portaria do hospital, a mulher acionou os dois funcionários do almoxarifado, que disseram aos seguranças que a liberação estava autorizada. Sendo assim, por meio da ajuda da assessoria jurídica do hospital, descobrimos o nome das pessoas envolvidas, verificamos a situação e colhemos provas”, disse Goes.

A autoridade relatou ainda que, para a saída do material, os funcionários emitiram uma documentação fraudulenta, informando, por meio de cautela, o empréstimo dos itens para a Fundação Adriano Jorge.

Segundo a DERFD, as investigações vão prosseguir no intuito de identificar outros responsáveis pelo desvio de medicamentos da unidade.

O assessor jurídico da FCecon, Ricardo Monteiro, disse que a ação realizada nesta quinta é muito importante para a sociedade que precisava de atendimento naquela unidade hospitalar.

“Estamos trabalhando formas de sanar todos esses problemas, realizando auditorias internas para minimizar os impactos que esses delitos causam aos pacientes”, comentou Monteiro.

Prisões

Após os mandados de prisão temporária em nome deles serem expedidos pela Justiça, foram realizadas diligências nesta quinta-feira, e os dois funcionários foram presos na sede da FCecon, no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste. Já a ex-funcionária foi presa na residência dela, no Conjunto Parque das Laranjeiras, bairro Flores, Zona Centro-Sul da cidade.

Procedimentos

Conduzido ao prédio da DERFD, o trio foi indiciado pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e associação criminosa. Eles ficarão presos temporariamente por 30 dias, podendo o prazo ser prorrogado. Ao término dos procedimentos cabíveis na especializada, eles serão levados para a Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde passarão por audiência de custódia via videoconferência.

Posicionamento

Em nota, a FCecon ressaltou que confia na investigação da Polícia Civil e que a investigação se deu a partir de denúncia da direção da unidade, com um boletim de ocorrência registrado pelo hospital no dia 14 de maio.

"A direção esclarece que já vinha aumentando o controle e monitoramento do estoque de medicamentos e Produtos Para a Saúde (PPS), com a implantação do Sistema Ajuri. Além da denúncia, a FCecon entregou à Polícia Civil do Amazonas o resultado de um inventário realizado em dezembro de 2019, que apontou inconsistências no estoque de medicamentos e PPS", diz a nota.

*Com informações da Assessoria de Imprensa

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