Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
Denúncia

Padrasto de criança morta em operação denuncia tortura de policiais

Policiais também teriam plantado uma arma atribuída a Danrley Sullivan, padrasto de Gabriel Santos, de 12 anos, que morreu depois de uma ação policial em Iranduba



content_FBD93ED8-DF7C-4EA5-9F9B-8397ED76E396_BECAE390-F19E-4076-AAA7-EF96AEF6C43C.jpeg Foto: Junio Matos
29/07/2021 às 19:50

Danrley Sullivan, padrasto de Gabriel Santos, criança de 12 anos morta a tiros durante ação policial na última terça-feira (27) no município de Iranduba, foi solto na tarde desta quinta-feira. O padrasto da criança afirma que foi torturado pelos policias da ocorrência e também afirma que a arma apreendida pelos policiais, atribuída a ele no suposto confronto, foi apresentada quatro horas após a prisão.

“Colocaram um saco na minha cabeça. Eles [policiais] queriam arma e droga, eu falei – meu senhor, eu não trabalho com isso não, eu trabalho com bananinha e eles me bateram dentro do carro”, disse. As declarações foram feitas para repórter do portal Imediato, Edila Chaves.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os policiais foram recebidos a tiros na localidade na qual o padrasto de Gabriel foi preso, com uma arma de fogo e três munições. A Secretaria disse que três munições estavam intactas e três deflagradas. “Sobre essa arma aí eu não sei de quem é. Eu não tinha arma. Quando eu tava aqui no corredor [da delegacia] eles apresentaram essa arma, era umas cinco horas da tarde, sendo que fui preso uma hora”, declarou Danrley. 

Sobre a morte do enteado, ele contou que só descobriu que o menino havia desaparecido no rio, quando chegou na cadeia.



“Eu não sabia. Na hora que eu pulei dentro d’água eu ouvi quando o policial deu três disparos mas eu pensava que era em mim. Aí os outros policiais me pegaram lá e só descobri quando tava aqui dentro [DIP]. Eu fiquei desesperado.”, disse. "Nós estavámos nos preparando para almoçar quando os policiais atiraram, eles atiraram contra nossa cachorra. Eles não chegaram dizendo que eram policiais", disse.

Durante o velório da criança, um morador conversou com a equipe de reportagem de A Crítica em frente ao cemitério do município. Ele criticou o trabalho policial e afirmou que os policiais chegaram atirando na casa onde Gabriel estava. “Tem trabalhador aqui nessa comunidade. O padrasto dele era meu patrão, sou bananeiro, tenho duas filhas”, disse. 

O Ministério Público do Amazonas, por meio da promotoria de Justiça de Iranduba, instaurou inquérito para apurar as circustâncias da morte da criança, além das denúncias de tortura contra os policiais envolvidos na ação. A SSP determinou à Corregedoria Geral do Sistema de Segurança a abertura de procedimento para investigar o caso

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.