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OPERAÇÃO ALCATEIA

PM acusado de integrar grupo de extermínio alega inocência: 'Até hoje procuro respostas'

Sargento da PM afirma que Estado cometeu erro ao acusá-lo de integrar grupo suspeito de assassinar 19 pessoas 26/10/2017 às 12:15 - Atualizado em 26/10/2017 às 12:15
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Policial é acusado de fazer parte de grupo de extermínio na capital (Foto: Jander Robson/Freelancer)
Dani Brito e Oswaldo Neto Manaus (AM)

O sargento da Polícia Militar Adson Souza de Oliveira, 40, que foi preso há dois anos na Operação Alcateia apontado por envolvimento nas mortes de 19 pessoas e 13 tentativas de homicídio, abriu as portas de sua casa para falar sobre tudo o que passou desde então. Segundo o Ministério Público do Estado (MPE), os casos teriam ocorrido num período de seis meses e no episódio conhecido como “Fim de Semana Sangrento”, que aconteceu em julho de 2015.

Adson está em liberdade há um ano, usando tornozeleira eletrônica e segundo ele, foi acusado injustamente pelo Estado. "Eu fui preso injustamente e até hoje procuro respostas para tudo o que aconteceu e ainda está acontecendo comigo. Quando a polícia entrou aqui em casa para me prender tomei um susto. Parecia que eu estava vivendo um pesadelo", disse.

A prisão dele ocorreu juntamente com mais 11 policiais militares, em novembro de 2015, durante a operação Alcateia.  Na ocasião, o Ministério Público do Estado (MPE) ofereceu denúncia contra os policiais, afirmando que se tratava de um “grupo de extermínio”. A denúncia afirma que os integrantes se autodenominavam “motoqueiros fantasmas”, e durante as suas ações usavam máscaras de caveira e equipamentos da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Segundo consta no processo, Adson teria sido responsável pela logística nos dias dos crimes. "Nos dias dos crimes eu estava num deles de folga e no outro, de serviço. Quando mataram uma das vítimas aqui próximo de casa eu estava em casa com minha família e ainda mandei que todos se abaixassem. Tem que investigar perguntando da vizinhança, e não dos traficantes que não gostam de mim ", relatou.

Represálias

De acordo com o policial, embora tenha ganhado o direito à liberdade, uma onda de medo e insegurança tem tomado conta da sua vida por conta da acusação. Ele afirma que traficantes estariam fazendo ameaças de morte contra ele. “Eles passam na frente da minha casa de um jeito debochado. Segundo relatos, eles diziam que quando eu saísse de onde eu estava preso no batalhão, eles me matariam. Deus há de me livrar”, disse Adson.

“Já falaram pra eu me mudar. Disseram que ‘aqui não se cria policial’. Não sei nem o que faço. Queria ter minha dignidade de volta”, declarou.  

Para ele, o Estado errou na acusação feita a ele. “Meus quatro filhos sofreram e minha esposa sofre até hoje. No começo, disseram que eu tinha envolvimento e havia materialidade. Eu quero que provem. Quero que digam aonde eu tenho envolvimento. É constrangedor demais”.

Denúncia

Adson foi acusado de fazer parte de um grupo de extermínio preso na Operação Alcateia, deflagrada em dezembro de 2015. Doze policiais militares foram apontados como integrantes do bando.

Na época, 13 armas de fogo foram apreendidas, sendo cinco PT.40, duas 380, cinco 38 e uma escopeta calibre 12, além de uma pistola de choque não letal. Além da motocicleta, outros cinco veículos também foram confiscados, e cerca de 1 quilo de droga foi encontrado com os suspeitos.

Em setembro, cinco policiais tiveram suas prisões preventivas revogadas pela justiça. O juiz Mauro Antony, da 3ª Vara do Tribunal do Júri justificou a liberação dizendo que não havia mais a necessidade de mantê-los presos em cárcere, pois devido o tempo ao tempo os requisitos da prisão preventiva já tinham desaparecido.

No despacho, o magistrado determinou que os policiais passassem a ser monitorados por tornozoleiras eletrônicas, além de mensalmente comparecerem à vara para assinar o livro de freqüência.

Devido à quantidade de réus (eram 21 acusados, porém 10 foram pronunciados inicialmente), o juiz Mauro Antony dividiu o processo em blocos para facilitar o trabalho da instrução processual. Há réus que ainda não foram ouvidos em juízo, assim como ainda não há data para que aconteça o julgamento.

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