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Manaus Hoje
revolta da população

PM de folga é suspeito de matar homem a tiro no Petrópolis; população se revolta

Moradores acusam o policial de, sob efeito de álcool e drogas, ir à casa da vítima para comprar droga e depois matou. O policial recebeu escolta de colegas e houve confusão 17/07/2016 às 13:10 - Atualizado em 17/07/2016 às 15:25
Vinicius Leal e Dani Brito Manaus (AM)

Um PM que estava de folga na madrugada deste domingo (17), em Manaus, é o principal suspeito de matar a tiro um homem de 23 anos, supostamente usuário e traficante de drogas, no bairro Petrópolis, Zona Sul. Moradores acusam o policial de, sob efeito de álcool e drogas, ir à casa da vítima para comprar entorpecentes e matá-la.

A vítima é Anderson Faria da Silva, 23, que foi alvejado com um tiro no tórax disparado supostamente pelo soldado da Polícia Militar (PM) Ângelo Rodriguez Leite, que recebeu escolta de colegas. O crime ocorreu por volta das 4h30, na frente da casa da vítima, na rua Abuna, bairro Petrópolis. Anderson chegou a ser socorrido e levado ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, mas não resistiu.

Na foto ao lado, a vítima (Foto: Euzivaldo Queiroz)

A população acusa o PM de ser o autor do crime. Segundo eles, o policial Ângelo estava alcoolizado e sob o efeito de drogas, e passou a noite e a madrugada em um bar da região. Por volta das 4h30, ele teria ido à casa de Anderson comprar drogas. Chegando lá, segundo moradores, o policial bateu à porta e se escondeu. Depois, conforme a população, Ângelo bateu novamente na porta da casa e, quando a vítima saiu para ver quem era, o PM foi por trás e atirou.

Ainda de acordo com moradores, depois de efetuar o disparo, o policial se escondeu novamente e fugiu. Familiares da vítima confirmaram que o mesmo era usuário de drogas, mas não disseram que ele vendia entorpecente, o que já foi relatado por vizinhos. A esposa e o irmão de Anderson também estavam em casa e viram ele ser morto.

O policial nega

O policial militar Ângelo Rodriguez Leite não foi detido e negou a autoria do crime. Ele mora também no bairro Petrópolis, no beco da Paciência, próximo ao local do crime, e após o assassinato, segundo moradores, foi para casa e ligou um aparelho de som no volume máximo. Depois, já de manhã, o PM vestiu uma camisa da Polícia Militar e um coldre afirmando que estava de serviço, porém populares disseram que ele estava de bermuda e de folga.

PM Ângelo, de bermuda (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Os moradores contaram à reportagem que o PM estava visualmente sob efeito de drogas e álcool. Segundo os eles, o policial é usuário de entorpecentes e costuma andar na região com uma arma de fogo em punho. O policial Ângelo também negou tais acusações.

Revolta popular

Populares tentaram invadir a casa do PM no beco Paciência e também se revoltaram contra equipes da 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e da Força Tática, que foram ao local fazer a segurança e também para escoltar o policial Ângelo e a família dele durante a mudança de móveis e pertences pessoais para um novo endereço.

Houve confronto entre a população e as equipes de polícia, e um popular foi agredido e preso. Uma viatura da PM foi apedrejada e teve o vidro quebrado. Durante a confusão, um policial atirou para cima com uma escopeta calibre 12, na intenção de dispersar os manifestantes.

PM atirou de escopeta (Foto: Euzivaldo Queiroz)

Investigação

O caso de homicídio já foi registrado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Até a publicação desta matéria, ninguém havia sido preso. A reportagem questionou a assessoria de imprensa da Polícia Militar sobre o local para onde o PM foi levado, se o mesmo foi detido e os procedimentos de escolta e a reação dos policiais à revolta popular, mas até o momento não houve resposta.

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