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Manaus Hoje
REVOLTA

PM suspeito de matar ex-presidiário a tiros ainda não foi ouvido pela Polícia Civil

Delegado titular do 3º DIP, Willian Hitotuzi, disse que família ainda não formalizou denúncia contra PM. Policial negou envolvimento no crime, mas delegado afirma que pode representar pela prisão preventiva do suspeito 19/07/2016 às 10:06
Show policial
Soldado Ângelo Rodrigues registrou BO informando que sua arma havia sido roubada (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Kelly Melo Manaus (AM)

A Polícia Civil ainda não ouviu o policial militar Ângelo Rodrigues Coelho, o principal suspeito de ter assassinado o ex-presidiário Anderson Farias da Silva, 23, o “Loirinho”, no último domingo, no bairro Petrópolis, na Zona Sul.

O delegado titular do 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Willian Hitotuzi, explicou que a família da vítima ainda não formalizou a denúncia contra o policial e que no domingo, o soldado foi ouvido apenas pelo suposto roubo do seu armamento, no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Na madrugada de domingo, por volta da 5h50, o soldado registrou um boletim de ocorrência no 1º DIP informando que a sua arma havia sido roubada por um grupo de 12 pessoas. No entanto, só às 8h20 a família comunicou o homicídio na delegacia, mas não informou quem seria o assassino.

Apesar de o policial ter sido ouvido e negar envolvimento no crime, Hitotuzi afirmou que a autoria do homicídio está esclarecida, pois além da família, denúncias anônimas confirmaram que o soldado matou o ex-presidiário, após uma discussão em um bar.

“O problema é que todo o tumulto causado em frente a casa do policial prejudicou o andamento das diligências. Outra questão é que, embora a família afirme que o Ângelo matou o Anderson, oficialmente, eles (familiares) ainda não registraram isso na delegacia. No Boletim de Ocorrência consta apenas que o homicídio foi praticado por um policial militar”, afirmou o delegado.

Willian Hitotuzi não descartou a possibilidade de representar pela prisão preventiva do PM. “As investigações vão ser feitas aqui pelo 3º DIP e se for necessário, vamos sim, representar pela prisão do policial no decorrer do processo. Primeiro vamos ouvir a família e depois vamos chamá-lo para ser ouvido também”, destacou.

A dona de casa Patrícia Pinheiro, 32, irmã da vítima, confirmou que eles ainda não prestaram esclarecimentos na delegacia. Segundo ela, hoje a família irá ao 3º DIP para repassar qualquer informação que ajude a elucidar o caso.

Ampla defesa

A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar (ACS) e a Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam) informaram que estão acompanhando o caso e vão lutar para garantir a ampla defesa e o contraditório do soldado Angêlo Coelho. “Ele vai se apresentar quando for solicitado”, afirmou o diretor jurídico da ACS, Arimar Guedes.

Revolta dos moradores

Munidos de pedras e pedaços de madeira, moradores do local protestaram a morte de Anderson. Eles cercaram a casa do policial que teve que sair escoltado por policiais da Rocam e Força Tática. A retirada dele sob proteção da polícia provocou ainda mais revolta.

Inquérito

Em nota, o Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas informou que a Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) está acompanhando o caso. A nota destaca que o policial militar foi conduzido ao 1º DIP, por um oficial da DJD, para ser ouvido pela delegada plantonista e que após as diligências preliminares, concluiu pela liberação do PM, após constatar que não havia denúncia formal ou ligação com o homicídio de Anderson Farias.

Na DJD foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o suposto roubo do armamento e o Comando ressaltou que todas as medidas para esclarecer o fato estão sendo tomadas.

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