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Manaus Hoje
ROTA DO TRÁFICO

PF prende peruano alvo da operação La Muralla procurado pela Interpol

Prisão de narcotraficante na fronteira marca início do combate ao crime na ponta da cadeia de produção, diz PF. Suspeito desembarcou em Manaus e deve ser encaminhado à uma cadeia pública neste sábado (8) 07/10/2016 às 21:43 - Atualizado em 07/10/2016 às 21:47
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Autoridades consideram a prisão de ‘Tronco’ um marco no combate ao tráfico de drogas (Foto: Divulgação)
Joana Queiroz Manaus (AM)

A fronteira com países fornecedores de droga para o Brasil não vai mais limitar a ação da polícia brasileira para prender estrangeiros que estejam cometendo crimes no País. De acordo com delegados da Polícia Federal (PF), os criminosos serão presos em seus países e extraditados para serem julgados pela Justiça brasileira e deverão cumprir suas penas aqui.

Nesta sexta-feira (7), por exemplo, um dos mais antigos e tradicionais fornecedores de drogas da região da tríplice fronteira, o peruano Wilder Chuquyzuta, 42, conhecido como “Tronco” e “Troncozito”, chegou a Manaus, onde deverá ser julgado por tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, porte e tráfico de armas, entre outros.

Tronco era um dos alvos da operação La Muralla, deflagrada pela Polícia Federal no fim do ano passado, e teve o nome incluído na difusão vermelha da Interpol. Ele foi preso na cidade de Letícia, na Colômbia, em parceria com a polícia local e extraditado para o Brasil. A  PF afirma que Tronco é o primeiro de muitos que outros virão.

De acordo com as autoridades federais de combate ao narcotráfico, a prisão de Tronco abalou o abastecimento de droga, porque ele era um dos principais fornecedores de entorpecentes para a organização criminosa Família do Norte (FDN)  há quase dez anos.

Ele desembarcou em Manaus junto com  policiais federais em um vôo comercial e foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde foi ouvido. No sábado, Tronco deverá ser encaminhado para uma cadeia pública. De acordo com o delgado titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, Caio Avanço, ainda não dá pra dizer se Tronco será encaminhado a um presídio federal.

O  traficante, apesar de ser peruano estava morando em Letícia, de onde comandava seus negócios ilícitos. No relatório da operação La Muralla, ele aparece como o responsável pelo fornecimento de diversos carregamentos de drogas que foram apreendidos pela PF no ano passado. A PF tem informações de que Tronco teria plantios de drogas no Peru. 

“A prisão de Tronco foi uma das melhores dos últimos anos. É uma forma de atingir a fonte que fornece a droga”, afirmou Mauro Spósito, ex-superintendente da PF. Para o delegado Caio Avanço, a prisão mostra que a PF conseguiu atingir o início da cadeia do tráfico, que são os fornecedores. 

Produção familiar abastecia FDN

De acordo com o ex-superintendente da Polícia Federal Mauro Spósito, o traficante Wilder Chuquyzuta era adepto do “tráfico familiar” no Peru, onde pai e irmãos têm envolvimento com o narcotráfico.  

Tronco comprava a droga de produtores peruanos, incluindo familiares, e depois fornecia para as organizações criminosas. A droga entrava no Brasil pelo rio Amazonas. Tronco também era o  principal fornecedor  armas de  traficantes conhecidos  em Manaus como Alex Sandro Fernandes de Freitas, o “Federal”, José Carlos Fernandes de Freitas, o “Verdinho” e Lenivaldo Alves de Freitas conhecido como “Leilei”.

Conforme o relatório da  La Muralla, Tronco mantinha relacionamento próximo com os traficantes José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, e Cleomir Freitas, o “Copinho da Colônia”. Além de abastecer Manaus, Tronco mandava drogas para estados nordestinos.

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