Domingo, 16 de Maio de 2021
Decisão

Policial é condenado pela morte de George Floyd nos Estados Unidos

A morte de Floyd, preso por supostamente comprar cigarros com uma nota falsa de 20 dólares, abalou os Estados Unidos e o mundo, gerando enormes protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial.



derek-floyd_8759CE20-96B9-46D7-B34D-580C343E39A0.jpg Foto: Reprodução/Internet
News thumb afp d084093c bf21 4ede 853c 0cfb6068260d AFP
20/04/2021 às 21:54

"Culpado!". Quando o veredicto contra o ex-policial branco Derek Chauvin no julgamento pela morte de George Floyd foi ouvido por um alto-falante, a multidão explodiu de alegria e alívio do lado de fora do tribunal de Minneapolis.

Mais de 200 pessoas se reuniram para ouvir o veredicto do julgamento contra o policial acusado de matar Floyd, um afro-americano que morreu asfixiado durante sua prisão, em um caso que gerou protestos contra a injustiça racial em todo o mundo.



"Culpado de todas as três acusações", anunciou uma voz masculina em um megafone, enquanto as lágrimas escorriam por vários rostos da multidão. “Hoje celebramos a justiça para a nossa cidade”, acrescentou.

"Eu não posso acreditar... Culpado", disse Lavid Mack, de 28 anos, de pé em um bloco de concreto para ter uma visão melhor do que estava acontecendo. Ele não achava que Chauvin seria considerado culpado.

Uma mulher saiu do meio da multidão, abalada demais para falar, e caiu nos braços de uma amiga.

Outra, com lágrimas nos olhos, expressou seu alívio: "Agora podemos finalmente começar a respirar", disse Amber Young. "Este ano foi tão traumático, agora espero alguma cura", acrescentou.

Com os punhos no ar, uma dúzia de pessoas começou a gritar: "Poder negro! Poder negro!". Antes do veredicto, um homem agitava uma garrafa de conhaque no meio da multidão, na esperança de abri-la caso Chauvin fosse considerado culpado.

A rua em frente ao tribunal estava fechada ao tráfego e vários veículos que desviaram tocaram suas buzinas em apoio à multidão.

Na semana passada, as tensões aumentaram em Minneapolis, que foi abalada por protestos massivos após a morte de Floyd no ano passado.

Tropas da Guarda Nacional têm patrulhado as ruas, e a maioria das empresas fechou as janelas para o caso de novos distúrbios estourarem.

O tribunal foi cercado por veículos blindados, blocos de concreto e cercas de metal de 3 metros de altura, ilustrando a sensibilidade do caso que gerou os maiores protestos sobre racismo e brutalidade policial em uma geração.

 

Derek Chauvin, o ex-policial branco condenado nesta terça-feira (20) nos Estados Unidos pela morte do afro-americano George Floyd durante sua prisão, já tinha um histórico de uso excessivo da força antes deste caso, classificado pela procuradoria como um "chocante abuso de autoridade".

Chauvin se manteve ajoelhado sobre o pescoço de Floyd, de 46 anos, por mais de nove minutos, em uma rua de Minneapolis em 25 de maio de 2020, apesar dos apelos do detido e de espectadores espantados que filmaram a agonia.

A morte de Floyd, preso por supostamente comprar cigarros com uma nota falsa de 20 dólares, abalou os Estados Unidos e o mundo, gerando enormes protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

Durante o julgamento de três semanas, o advogado de Chauvin, Eric Nelson, disse que seu cliente "exalava um comportamento calmo e profissional" ao prender Floyd, e tentou convencer o júri de que ele "não usou uma força ilegal de propósito" e sim que agiu de acordo com seu treinamento.

Porém, a promotoria argumentou com sucesso que Chauvin usou força excessiva, não apenas com Floyd, mas também com outras pessoas que deteve ao longo de seus 19 anos de carreira na polícia.

Nos argumentos finais na segunda-feira, o procurador Steve Schleicher descreveu as ações de Chauvin como um "chocante abuso de autoridade" e frisou que Floyd "pediu ajuda com seu último suspiro", mas o agente não o deu ouvidos.

22 processos

Quem conhece Chauvin disse que ele usava mais força do que o necessário ao realizar suas prisões.

A procuradoria exibiu vários exemplos de seu "modus operandi", incluindo o caso de Zoya Code, uma jovem negra presa em 2017 acusada por sua mãe de violência.

"Ele se apoiou no meu pescoço", contou Code recentemente sobre Chauvin. Frustrada e irritada, ela o desafiou a pressionar com mais força. "Foi o que ele fez. Só para me calar", afirmou.

Andre Balian, um instrutor de kung fu que treinou com Chauvin cerca de 20 anos atrás, disse que "não havia como" o ex-policial não perceber o dano que estava causando ou era capaz de causar. Em entrevista à AFP em junho, Balian se lembrou de Chauvin como um "idiota".

Vazaram poucas informações sobre Chauvin, mas ex-colegas, sob condição de anonimato, esboçaram na mídia o retrato de um homem silencioso, intransigente e viciado em trabalho, que costumava patrulhar bairros difíceis.

Seu compromisso rendeu a ele quatro medalhas durante sua carreira. No entanto, ele também acumulou 22 ações judiciais e investigações internas, de acordo com um registro público que não inclui os detalhes.

Apenas uma dessas queixas, apresentada por uma mulher branca que foi violentamente puxada do carro em 2007 por excesso de velocidade, apesar do choro de seu bebê, foi seguida por uma carta de reprimenda.

Trabalharam juntos

Nas noites de fim de semana, Chauvin trabalhou por um longo tempo como segurança em uma boate de Minneapolis, El Nuevo Rodeo, onde seus métodos pesados também deixaram uma lembrança amarga. 

À imprensa, a ex-proprietária Maya Santamaría o descreveu como um homem com "pavio curto" que fazia um generoso uso de gás lacrimogêneo diante do menor incidente.

Coincidentemente, Floyd também trabalhou como segurança no mesmo estabelecimento, mas não se sabe se eles se conheceram.

Solitário no trabalho, Chauvin se casou com uma refugiada de Laos em 2010. Em maio do ano passado, ela pediu o divórcio.

Desde então, um tribunal abriu um processo de fraude fiscal contra o casal e, em novembro, um juiz rejeitou o acordo de divórcio que exigia que todos os seus bens fossem transferidos para sua esposa, Kelly Xing-Chauvin.

Esse arranjo teria protegido os fundos se Chauvin tivesse sido condenado a pagar danos significativos.

Além do processo criminal agora concluído, o ex-policial foi alvo de ações legais civis movidas pela família de Floyd, que culminaram em um acordo em março pelo qual a cidade de Minneapolis deve pagar 27 milhões de dólares aos familiares do afro-americano.

-Pouca emoção 

Chauvin, de 45 anos, teve a oportunidade de testemunhar em sua própria defesa, mas recusou, invocando seu direito constitucional contra a autoincriminação.

No entanto, livre sob fiança, ele comparecia ao julgamento todos os dias e fazia anotações. O assento atrás dele, reservado para membros de sua família, costumava ficar vazio, enquanto os parentes de Floyd se revezavam durante o julgamento.

Quando o veredicto foi lido, Chauvin, vestido com seu habitual terno cinza, não demonstrou muita emoção, exceto por seus olhos, que ficavam cada vez mais agitados enquanto ele era declarado culpado de cada uma das três acusações: assassinato em segundo e terceiro grau e homicídio culposo em segundo grau.

Chauvin foi imediatamente algemado e preso depois que o veredicto foi anunciado e agora aguarda a sentença.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.