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Manaus Hoje
Operação 'Alcateia'

Primeiro réu do 'Fim de Semana Sangrento' é interrogado no Fórum Henoch Reis

Policial militar é acusado de entrar na casa e matar o ex-presidiário Henrique Nascimento. A defesa do PM nega envolvimento no caso 19/07/2016 às 20:12 - Atualizado em 20/07/2016 às 13:48
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Defesa do PM Magno afirma que ele estava numa festa no dia do crime / Foto: Márcio Silva
Joana Queiroz Manaus (AM)

O soldado da Polícia Militar Magno Azevedo Mafra, 44, é o primeiro réu da operação “Alcateia” a ser ouvido em juízo sobre um dos crimes ocorrido no episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento”. Ele foi interrogado na manhã de terça-feira (19) na audiência de instrução processual que aconteceu na  3ª Vara do Tribunal do Júri, no 4º andar do Fórum Henoch Reis, São Francisco, Zona Sul.

Magno chegou escoltado por policiais militares e com o rosto encoberto, e foi direto para a sala de audiência, onde foi interrogado pelo juiz Mauro Antony e pelo promotor Géber Mafra, acompanhado do advogado de defesa. Foi ouvido ainda o corregedor geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Leandro Almada, como testemunha de acusação arrolada pelo Ministério Público. Galelson Nunes, outra testemunha de acusação, não foi localizada.

De acordo com o juiz Mauro Antony, Magno é acusado de ter assassinado o ex-presidiário Henrique dos Santos Nascimento, que de acordo com a contagem feita pela polícia era o 35ª vítima dos homicídios ocorrido naquele fim da semana. Henrique foi ferido a tiros por volta das 23h30  do dia 19 de julho do ano passado,  na rua São Tomé, Parque São Pedro, Tarumã, Zona Oeste.

A denúncia oferecida pelo Ministério Público ressalta que  Henrique foi morto em sua casa,  que foi invadida pelo policial. Magno chegou à casa da vítima na garupa de uma motocicleta, entrou, rendeu a vítima, encostou a arma na sua cabeça e fez vários disparos à queima roupa, sem dar nenhuma oportunidade de defesa para a vítima.

Exames balísticos feitos nos projéteis encontrados no corpo de Henrique, confrontados com a arma que foi apreendida na casa de Magno apontam que as balas saíram de uma pistola da marca Tauros, calibre.40 pertencente ao arsenal da Polícia Militar, a mesma que foi apreendida com o policial.

Durante as investigações, Magno se negou a prestar qualquer esclarecimento sobre a coincidência. Com base no que foi apurado pela Força Tarefa, criada para apurar os crimes do Fim de Semana Sangrento, a motivação do crime tem relação com tráfico de drogas.

Na época do crime, o corpo de Henrique foi velado na igreja Assembleia de Deus, na rua General Carneiro, São Francisco. Poucas pessoas foram ao velório, apenas familiares estavam no local. Os pais dele não permitiram que a imprensa entrasse e não quiseram dar nenhuma informação. “Ele é o meu filho e eu não quero ninguém aqui. Respeitem a dor da família”, disse a mãe Maria Luzia dos Santos, na época.

O juiz Mauro Antony enfatizou que a série de audiências de instrução para ouvir suspeitos de participar das mortes que aconteceram nos dias 17, 18 e 19 de julho de 2015 deve se estender até o fim deste ano. Ele disse que ainda não é possível dizer quantos dos 18 policiais acusados serão levados ao júri popular. Ao todo, são 21 suspeitos.

A defesa do soldado disse que o acusado não tem nenhuma ligação com nenhum grupo criminoso e que há provas de que no dia do crime Magno estava em uma festa e quem não matou ninguém. “Ele não pertence a nenhum grupo de extermínio e nem foi ele quem fez os disparos que mataram a vítima”, disse.

Muito trabalho

O juiz Mauro Antony informou que a previsão, se tudo der certo, é que até o final do ano encerre a audiência de instrução processual. Na avaliação do magistrado, o processo vai dar muito trabalho para ser instruído, além de ter muitos réus e vítimas, ainda serão ouvidas testemunhas, que ele ainda não tem o número correto. Também serão realizadas diligências e perícias.

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