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Quadrilha que exportava cocaína do AM para América do Norte é desarticulada

O grupo criminoso possuía um esquema sofisticado, ocultando o entorpecente em materiais industriais, como em cilindros, para dificultar a localização dele, mesmo passando pelo raio-X 16/02/2017 às 17:42
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A droga era ocultada em materiais industriais, como cilindros. Foto: Divulgação
Kelly Melo Manaus

Uma quadrilha especializada em exportar cocaína pura do Amazonas para países da América do Norte, Ásia e Europa foi desarticulada, nesta quinta-feira (16), pela Polícia Federal. O grupo criminoso possuía um esquema sofisticado, ocultando o entorpecente em materiais industriais, como em cilindros,  para dificultar a localização dele, mesmo passando pelo raio-X.  Durante a operação, três homens, incluindo o líder da organização, foram presos em Manaus e em Itacoatiara. 

O delegado federal, Caio Avanço, da Delegacia de Repressão ao Entorpecente (DRE/AM), explicou que a organização criminosa estava sendo investigada desde 2014, quando as primeiras apreensões aconteceram em todo o País.  Segundo ele, o grupo utilizava grandes empresas de logística para fazer o envio da droga para os países como a Holanda sem chamar a atenção da fiscalização. Países da América do Norte e Ásia também recebiam carregamentos da droga.

O entorpecente era escondido em cilindros e peças metálicas, o que impossibilitava a localização do material até  mesmo pelos equipamentos de raio-X, durante as fiscalizações de rotina. “A droga era selada em cilindros e peças metálicas por um profissional da área que se colocou a serviço do crime organizado”, afirmou o delegado. Para localizar a droga, era necessário serrar os cilindros.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão, cinco de condução coercitiva e seis mandados de busca e apreensão. Um dos mandados foi cumprido no condomínio Forrest Hill, residencial de luxo localizado na avenida Torquato Tapajós, na Zona Norte, mas a PF não divulgou os nomes dos envolvidos.

Além de ter a prisão preventiva decretada, o principal alvo da operação também foi preso em flagrante com uma pistola 380. Ele já tem passagem por tráfico de drogas. Entre os bens apreendidos, a PF confiscou três caminhonetes de luxo (Hilux, Amarok, L200) dos alvos.  Eles vão responder por tráfico internacional de drogas, associação ao tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Operação Courrier
A Polícia Federal acredita que mais de 50 remessas de  cocaína de alto teor de pureza, também chamada de Brilho, foram enviadas para o exterior nos últimos dois anos.

Na Europa por exemplo, cada quilo da droga chegava a ser comercializada por até U$ 100 mil. Se chegassem ao destino final, a quadrilha movimentaria valores astronômicos.

 “O grupo remetia muita droga para diversos países do mundo, principalmente Europa. A cocaína traficada pela organização criminosa era do mais elevado valor no mercado ilícito de drogas. Cada quilo podia ser vendido por até U$ 100 mil”, afirmou ele.

No decorrer das investigações, diversas apreensões, totalizando 150 kg de cocaína, foram feitas no Brasil e nos exterior, através de uma cooperação internacional. Os receptadores também foram presos ao longo das investigações.  “As diligências prosseguem visando apurar todas as remessas de entorpecentes realizadas pela organização criminosa, assim como no campo patrimonial do grupo”, afirmou o delegado.

A operação foi batizada de “Courrier” porque o grupo fazia uso de empresas de remessa postal para entregar as “encomendas” aos países destinatários.

Operação Betume
Em outubro do ano passado, a PF prendeu o peruano Teobaldo Asunción Cortijo Ovando e a  esposa dele, Vera Marinho de Azevedo, durante a operação Betume, que  comandavam um esquema semelhante. Para   Avanço, os casos estão relacionados e serão investigados. 

A operação Courrier, deflagrada na manhã de ontem, contou com a participação de 40 policiais federais. Eles cumpriram três mandados de prisão, cinco mandados de condução coercitiva e seis mandados de busca e apreensão.

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