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Réus do 'Fim de Semana Sangrento' serão ouvidos pela primeira vez em juízo

Caso ocorreu em julho de 2015, quando foram registrados ao menos 23 homicídios em três dias. Série de assassinatos teria sido desencadeada após morte do sargento Afonso Camacho. 18 PMs estão entre os acusados 19/07/2016 às 11:34 - Atualizado em 19/07/2016 às 17:12
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Juiz Mauro Antony informou que os processos foram divididos em núcleos (Foto: Arquivo/AC)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Os 21 réus do processo dos homicídios e tentativas do que ficou conhecido como “Final de Semana Sangrento”, ocorrido em julho de 2015, serão ouvidos pela primeira vez em juízo durante a instrução processual que começa hoje, na sala de audiência da 3ª Vara do Tribunal do Júri, no 4º andar do fórum Henoch Reis, conforme informou ontem, o titular da vara, Mauro Antony.

De acordo com o magistrado, esse é um dos maiores processos que já passou pelas suas mãos, pois é composto de 21 réus, destes, 18 são policiais militares, 24 vítimas, além de testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MPE) e também pela defesa dos réus.

Antony explicou que, por conta disso, o processo foi dividido em núcleos para facilitar o trabalho de instrução.

Réus que participaram de um mesmo homicídio serão ouvidos juntos. No caso de hoje, é o mais simples. É de um réu que participou de um homicídio. A próxima sessão de instrução e julgamento deverá acontecer na terça-feira da próxima semana, assim deve acontecer até instruir todo processo. De acordo com Antony, a previsão, se tudo der certo, é que encerre até o final deste ano.

Na avaliação do magistrado, o processo vai dar muito trabalho para ser instruído, além de ter muitos réus e vítimas ainda serão ouvidas testemunhas, que ele ainda não tem o número correto, ainda serão realizadas diligências e perícias que serão necessárias. “É um dos casos mais complicados que já peguei”, disse o magistrado.

O promotor dono da ação, Jeber Mafra, foi quem ofereceu a denúncia contra os réus. Ele disse que o inquérito foi um trabalho muito bem feito pela Força Tarefa criada para investigar as mortes ocorridas naquele final de semana sangrento e que ele não teve dificuldades para oferecer a denúncia, considerando o vasto material probatório que foi angariado durante as investigações.

“O processo é volumoso, possui grande número de provas, muitas perícias, várias testemunhas e material muito robusto para ser estudado”, disse Mafra.

O fim de semana sangrento aconteceu nos dias 17, 18, 19 de julho do ano passado, horas após a morte do sargento Afonso Camacho, no dia 17, no estacionamento de um banco, no bairro Educandos. Ao menos 23 homicídios foram registrados em Manaus, numa série de assassinatos considerada ação de represália à morte do PM.

Dezoito PMs são acusados de 19 assassinatos

O Ministério Público chegou à conclusão que 18 policiais militares teriam participação nas mortes. Entre os militares denunciados pelo Ministério Público estão Dorval Júnior Carneiro; Bruno Cezzane, Gernando da Luz Júnior; Sílvio José Silva de Araújo; Klebert Cruz de Oliveira; George Macdonald Rodrigues; Adson Souza de Oliveira; Rogério Pinheiro de Freitas; Rosemberg Martins Bezerra; Janilson Monteiro e Ítalo Gitemberg Macêdo que integravam o grupo de extermínio e se autodenominavam de “motoqueiros fantasmas”.

Durante as suas ações usavam máscaras de caveira e equipamentos da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Eles foram denunciados por conta de 19 assassinatos, todos com características de execução e 13 tentativas de homicídios. As investigações apontam que, pelo menos, 24 pessoas foram vítimas do bando. Algumas tinham envolvimento com o crime, enquanto outras não.

Na denúncia o promotor Geber Mafra, destacou a periculosidade do grupo que, segundo ele, muitas vezes se reunia para matar as pessoas por diversão usando armas, munições e todo conhecimento conseguidos com recursos do Estado.

‘Alcateia’

O grupo de policiais está preso desde o final do ano passado, quando foi deflagrada a operação “Alcateéia”, pela Secretária de Segurança Pública (SSP). Além dos criminosos usarem o aparato da Polícia Militar, usavam seus carros para executar os crimes. Há casos que eles usavam uma pistola semiautomática da Polícia Militar e que estava cautelada em nome do policial Dorval, além de uma máscara preta de caveira.

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