Domingo, 25 de Agosto de 2019
LIBERADA

Sheila Maria deixa a cadeia e passa a ser monitorada por tornozeleira

Apontada como pivô da matança ocorrida nos presídios no fim de maio, a esposa do narcotraficante João Branco foi presa em São Paulo quando tentava fugir para a Espanha



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11/08/2019 às 17:19

A cabeleireira Sheila Maria Faustino Peres, esposa do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, ganhou liberdade na última sexta-feira (9) e está sendo monitorada por meio de tornozeleira eletrônica. Ela estava presa temporariamente desde o dia 10 do mês passado, quando foi flagrada pela Polícia Federal tentando embarcar do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino à cidade de Barcelona, na Espanha.

A decisão que colocou em liberdade a mulher de João Branco foi assinada pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Mauro Antony. Em seu despacho, o magistrado elencou algumas medidas que deverão ser seguidas pela ré, caso contrário, ela deverá ter a prisão preventiva decretada, voltará a ser presa e retornará para uma unidade prisional.

Sheila deverá comparecer ao cartório todos os meses no primeiro dia útil, a partir do dia que assinar o termo de compromisso com a Justiça, para justificar e informar as suas atividades. Ela também não poderá se ausentar da Comarca de Manaus, já que a sua presença é indispensável para a investigação ou a instrução criminal, salvo com a autorização da Justiça.

Ela ainda terá que entregar o seu passaporte no cartório da 3ª Vara do Tribunal do Júri, dentro do prazo de 24 horas, sob pena de configurar descumprimento da medida e decretação da sua prisão. Caso não consiga cumprir qualquer uma dessas medidas, Sheila deverá comunicar imediatamente ao juiz.

Conforme o despacho de Antony, a prisão de Sheila ocorreu no bojo da investigação policial que busca a autoria dos crimes ocorridos nos dias 26 e 27 de maio deste ano em várias unidades prisionais de Manaus. Sheila fora acusada de participação efetiva, pois servia de veículo de comunicação entre as lideranças da facção criminosa Família do Norte (FDN).

De acordo com o despacho, por meio dela seriam repassadas diversas “ordens” a serem cumpridas no interior das unidades prisionais. Pesa também contra a ré que ela foi presa quando tentara viajar para Barcelona na Espanha. O juiz justificou as medidas aplicadas a Sheila dizendo que as investigações ainda estão em curso.

Pivô da matança

Segundo as investigações feitas pela Polícia Civil, Sheila é apontada como pivô do conflito que ocorreu entre os fundadores da Facção Família do Norte (FDN), batizada de “FDN Pura” ou “Potência Máxima”. O caso foi revelado em relatório do Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen), ligado à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

A esposa de João Branco era a responsável por levar as ordens do marido para seus aliados nos presídios de Manaus. No início de maio, após visitar o marido, ela teria repassado a ordem para matarem detentos da ala ligada a Zé Roberto, outro fundador da FDN. Mas, Zé Roberto descobriu o plano e inverteu a situação, dando ordem para execução dos aliados de João Branco.

O relatório do Dipen detalhou que João Branco estaria insatisfeito com os caminhos que a FDN vinha tomando sob o comando de Zé Roberto, “no que tange principalmente a venda de drogas, perda do poder da facção no Sistema Prisional Amazonense e a guerra entre facções no Estado”. Diante deste cenário, João Branco vinha trabalhando na criação da dissidência.

Caso Oscar

Sheila Maria Faustino Peres é apontada pela polícia como sendo a pivô do assassinato do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso Filho, ocorrido na tarde do dia 14 de março de 2014.

O delegado foi assassinado com mais de 20 tiros na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus. A vítima estava em via pública, com o neto no colo, um menino que na época tinha um ano e seis meses de idade, quando foi surpreendido pelos atiradores, que desceram de vários veículos.

A motivação do crime, de acordo com a polícia, teria sido o sequestro, estupro e extorsão contra Sheila praticado por policiais que eram comandados pelo delegado.

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