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Manaus Hoje
BOA VIDA

‘Suíte de luxo' de presídio em Manaus é demolida e vai virar cinemateca

Cela que foi do narcotraficante Zé Roberto da Compensa no Compaj agora fará parte da política de humanização do sistema penitenciário, que prega tratamento igualitário 17/12/2015 às 22:34 - Atualizado em 14/01/2016 às 16:47
Joana Queiroz

As duas celas do sistema fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no km 8 da BR-174, que foram transformadas na “suíte de luxo” que abrigava o traficante de drogas José Roberto Barbosa Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, foi demolida a marretadas e vai se transformar em uma cinemateca onde os presos poderão assistir filmes religiosos, de auto-ajuda e também para palestras.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), a demolição foi determinação do secretário Pedro Florêncio e executada por funcionários da empresa terceirizada Umanizare, que é responsável pela administração da unidade prisional.

Os funcionários quebraram todas as construções irregulares como prateleira, balcão, portas e até a cama de casal onde o “xerife” dormia e recebia visitas privilegiadas. O secretário disse que a demolição da cela, que por muitos anos abrigou o traficante Zé Roberto, faz parte da política de humanização do sistema penitenciário que prega tratamento igualitário para todos os presos.

A cela diferenciada já existia havia mais de três anos, mas só foi descoberta no mês de julho deste ano durante uma revista surpresa feita pela Secretária de Segurança Pública (SSP) com a participação do Exército.

A cela ficava em um dos blocos chamado de “Pavilhão Azul”, tinha piso revestido com porcelanato, cama de casal, ventiladores e televisores de LED, além de uma dispensa abastecida com diversos gêneros alimentícios, desde o feijão, arroz e condimentos, e freezer cheio de carne animal.

No local funcionava ainda uma cozinha equipada com louças, eletrodoméstico, faqueiro para 50 pessoas, bebedouro e jogo de panelas. O freezer horizontal, com duas portas, guardava peças de carne, inclusive de filé, e outras duas caixas de isopor contavam com peixes diversos. Um quadro de luz  controlava o funcionamento de energia para todas as celas do pavilhão.

De acordo com o titular da SSP-AM, Sérgio Fontes, foi confirmado, na época,  que a cela pertencia a José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, traficante de droga e chefe da facção criminosa FDN.

Demolição da  cela foi sugerida

Logo após a descoberta da cela de luxo, o presidente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Amazonas, desembargador Sabino da Silva Marques, visitou a suíte do chamado “Pavilhão Azul”,  e disse que  local deveria ser demolido  imediatamente e que as duas celas que abrigavam a suíte e a cozinha deveriam voltar ao projeto original, semelhante as demais que existem no presídio.

Uma outra medida sugerida pelo desembargador eras para a cela do Zé Roberto ser pintada. “Pra mim é uma situação anormal. As celas de um presídio tem que ser padrão”, disse o desembargador, na época.

O procurador de Justiça do Amazonas Fábio Monteiro sugeriu a demolição da cela diferenciada e qualquer construção feita por terceiros em prédios públicos, com recursos privado proveniente do crime.

Na época, o juiz de Execuções Penais  Luiz Carlos Valois disse que as celas  foram separadas para receber visitas íntimas, mas que fossem usadas por todos os presos e se isso não acontecia, quem deve tomar alguma providência era a administração penitenciária.

Líder

O traficante José Roberto Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, é um dos principais líderes da facção criminosa Família do Norte, junto com Gelson Carnaúba.

Alta periculosidade

Ele é considerado como um  dos mais perigosos e violentos e sanguinários  da organização criminosa. De acordo com a polícia, ele está preso há mais de cinco anos em regime fechado, mesmo assim continuava comandando o crime de dentro da cadeia.

La Muralla

No mês passado José Roberto foi preso pela Polícia Federam na operação La Muralla e foi mandado para o presídio federal.

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